domingo, 29 de maio de 2011
Crimes e castigos
Um dos crimes de maior repercussão nos últimos tempos teve um desfecho esta semana, que não sei se terá uma solução de definitiva justiça. Pimenta Neves, o famoso jornalista, cego pelo ciúme, matou a ex- namorada em 2000 e apenas agora teve o decreto de prisão efetivado. O crime ocorreu em 2000; até agora são onze anos de impunidade, de um processo que se arrasta na Justiça, com protelações de todo o tipo. Casos assim desmoralizam o Brasil perante o mundo, especialmente diante das inúmeras injustiças ocorridas dia a dia, pelos quatro cantos do País. Agora mesmo, presenciamos um crime bárbaro, que foi a execução dos ativistas do meio ambiente assassinados em Nova Ipixuna, dias atrás. É realmente impressionante como algumas questões são primariamente resolvidas a bala. A resolução destes problemas da forma violenta só mostra o tamanho da mentalidade que reina sobre algumas cabeças que fazem o mundo girar financeiramente. Não pensam que a repercussão vai muito além destas fronteiras regionais. Os acontecimentos estão cada vez mais próximos de tudo. Aconteceu aqui no sudeste do Pará agora, ganha o mundo em poucos minutos. Mas existem ainda aqueles que não vêem um palmo adiante do nariz, aqueles bitolados em seu próprio mundinho que não sabem, nem imaginam as repercussões gigantescas que ações bárbaras são capazes de produzir. Trata-se de uma corrente inglória, que começa com crimes com culpados confessos que a justiça não consegue punir e pessoas trucidadas sem que os culpados sejam sequer indiciados ou investigados. Se os crimes confessos já são difíceis de ser punidos e aqueles de encomenda, escondidos, praticados por tocaia? Além disso, tais crimes mancham a nossa já rotulada região, perseguida com o título pouco honroso dos assassinatos por conflito agrário. É só a pontinha que algumas pessoas estão querendo para dizer que nossa região é a “banda podre” o que definitivamente não é verdade. E vejam como as manchetes mudam através das circunstâncias: Aqui no Pará, é assim noticiado: “mais um crime por encomenda no sudeste do Pará”. No Brasil, as notícias são assim: “O Pará se envolve em mais um crime de conflito agrário”; no Mundo: “ Mais um crime bárbaro sem previsão de elucidação no Brasil.” E por aí vai, um círculo vicioso, infelizmente sem previsão de interrupção mas que depende, exclusivamente de boas escolhas de ocupantes de cargos públicos. Sim, porque as mudanças são estruturais e institucionais. O “sistema” não é mais forte que as pessoas que são investidas nos lugares, com vontade e determinação de fazer algo melhor e diferente. Pode ser que eu seja mais um utópico sonhador mas é só assim que eu consigo ver as coisas.
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