sexta-feira, 17 de abril de 2015

O espectro do pecado e sua consciência

- atenção ao pecado, que ameaça a ruína do Castelo; 
- aprofundar no conhecimento próprio, para estar fundado em humildade; 
- dilatar o olhar e esquadrinhar dentro de si a vasta paisagem do Castelo interior. 



Texto de Santa Tereza; o Capítulo começa assim: “Antes de passar adiante, quero dizer-vos que considereis o que será ver este Castelo tão resplandecente e formoso, esta pérola oriental, esta árvore de vida que está plantada nas mesmas águas vivas da Vida, que é Deus, quando cai em pecado mortal. Não há trevas mais tenebrosas, nem coisa tão escura e negra que ela o não esteja muito mais.” (M I, 2,1) 

O místico tem olhos lúcidos para o mistério do mal. Uma mística tão otimista e clarividente como a Santa Madre tem uma visão sombria do pecado. Acompanha-a a sua consciência de pecadora: ela sabe-se e diz-se pecadora convertida. No mal do pecado ela sublinha o aspecto ético: a desordem que introduz no homem, na estrutura interior do Castelo. Mas mais que este aspecto ético, interessa-lhe destacar a dimensão teologal: no interior do Castelo, o pecado mortal frustra simplesmente a relação do homem com Deus, fica quebrado o projeto inicial de Deus para cada homem, que consistiu no radical chamamento do homem à comunhão com Ele. 

Na linguagem da Santa Madre é como se o homem se desabite a si mesmo, obrigado a abandonar o próprio Castelo num gesto de alienação, para viver fora ou no fosso, molestado por répteis venenosos. Pelo contrário, o pecado não consegue desalojar Deus do Castelo, que o continua a habitar, embora a pessoa esteja incapaz de participar da vida d’Ele. 

O homem em pecado é um castelo em ruínas, é um homem tenso pelo des-centramento e o desenraizamento, é um homem exteriorizado e derramado, escravo e não senhor. É vivido, não vive. ( Santa Tereza de Jesus)

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