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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Santa Marina

Santa Marina

Eu acredito nesse segundo 
que até já passou e no que virá, já estando.
Amanhã não acaba.

Com a manhã,
Tem padaria, cheiro de café, barulho, sinal de vida.
Tem números
Cores
Agua
Vinho
Dinheiro
Nuvens de algodão
Estatísticas
Matemática.
Sexo
Flores
Tudo.

Me diga frases feitas
perfeitas
Clichês dos bons,
de arrepiar neurônios intelectuais.
"O dia está bonito, a bonança virá, o bem sempre vence."
Ser lugar comum não tem sido comum nesse lugar.
Mas vivemos todos aqui
e o que aconteceu
de mais importante
na vida de toda gente,
é comum.
Nascer
Andar
Respirar
Amar
Sofrer
Chorar
Todos nossos bilhões de vizinhos tem isso em comum e muito mais.
Mesmo sem qualquer sentimento remetente,
meu coraçao será um bom destinatário
do "clichê do clichê"
Não me importarei se atribuírem a outro,
os versos de Vinícius.
A vida vem mesmo "em ondas como o mar."
Acredito em Santos,
em Luz e
na alegria que me toma para si.
Hoje há força do bem
ontem houve também.
Por que amanhã não haverá?
Acredito no ritmo do
óbvio.
Hoje não está
acabando.
Há fome e sede, sim.
Que sempre haja
E sejam saciadas.
Nunca quero mata-las.
As horas
estão passando!
Nasci na hora certa
Sempre nascerei.
Hoje
É mais.
É muito mais
Do que eu possa
Explicar.
Hoje,
Agora,
Nesse minuto.
Onde tudo acontece.

Tantos anos depois,
o velho
Cneio Lucius
Acordou sua Fé.
Sem epitáfio,
sem tristeza,
Infinitamente.
Sempre há tempo!

Sim, há dor!
Foi por ela que eu conheci o dia.
Suportar é vencer
Como Célia e Ciro
nunca haverá ponto final
( Olinto Vieira)

Alma não tem documento

Alma não tem documento

Pedigree é
documento
de cachorro,
cavalo
ou gato.
Documento de raça
De sangue,
não de alma.
Gente tem
personalidade.
Única forma
de vida genuína
do homem
ter respeito de fato.
Não existe ninguem
Do mal ou do bem
Todo mundo
está se fazendo.
Espírito não tem
Pedigree.
Mas existe o tolo
O que não vai
na frente.
O que pega a linha
Pela metade.
Pega o bonde
Andando e se acha
O fino da bossa.
Faz por que é
empurrado.
Mas gosta.
Esse dita o que lhe
É ditado, decorado
Copiado, desenhado
Sem precisar
conhecer
Sem precisar
Ser pensado.
Desses,
milhões e milhões
e milhões
Estão sendo
Formados.
Não eu.

(Olinto Vieira)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Esperanza, no hay!

Todo mundo comenta o beijo traído,
O ministro banido, o ladrão do bandido.

Todo mundo sabe de tudo um pouco
e não se aprofunda no alto, jamais.

Será que há profundidade em cima?

Terá profundeza o meu coração?

Aliás, "todo mundo" é gente demais
comentando o pequeno deslize
e a grande tragédia.

Haverá alegria ou solitários  no banco de trás?

Aqui,  país paraíso, não existe vulcão.
A lama que corre é acidental, uma vez, duas vezes e outras tantas  mais.

E o nosso torrão propala a paz cujo nome é o nome do condomínio eterno onde o mau descansa e o bom se desfaz.

Não há terremoto nem furacão, mas há motoqueiros em dupla, em ação, "cuidado na esquina!".

 No outro dia bem cedo o nobre gari limpa o sangue no chão.

"Viemos do Egito e muitas vezes ( sempre) tivemos que rezar":

"Allah, Allah, Allah meu bom Allah", Jeová, Elohim, Yaveh, salve nossa terra,  mas nos salve de nós mesmos, meu bom Allah.

Viemos do Egito, Portugal, Sudão e desde o berço aprendemos a dançar, falar, ganhar dinheiro, perder dinheiro,  morrer e matar.

Não importa se a rima é pobre . A poesia é rica, é forte, é mel. Qualquer dela ficará mais do que todo assunto de hoje ( menos a do Michel )

É assim!  Mesmo crua , isso aqui é poesia e em algum lugar deve ter uma rima, a água doce do rio tem estricnina escorre e soterra homens e animais.

Todo mundo fala do presidente da confraria dos madeireiros do pau brasil , o que ele come, o que ele excreta, com  intimidade fenomenal.

 Uns falam bem, uns falam mal, sorrisos,  piadas, festa e carnaval.

Falam da garota de programa da China, da freira de Maracay, da ramera da Venezuela, da   religiosa de Xangai.

Falam de quase todos, e só   de pessoas; de gente que sobe, de gente que cai. 

Mas não falam de coisas, de casas, lugares, nem nada de bom. " Esperanza no hay".

A vida é ceifada sem explicação e o ator flagrado beijando outra moça vem humildemente respeitando o público e com grandeza de pulga, pede perdão.

Com colhão, sem colhão,
 a vida privada é o prato do dia e a tatuagem é a nova RG.

(Ate me peguei pensando em pagar um 'tribal tatoo' no pescoço por falta de ter algo bom para fazer.)

O que ainda agora chamava atenção
Amanhã se eu lembrar, alguem vai esquecer.

O soluço do pai cujo filho sumiu, a Frota , a Fruta e a serpente sutil nao é mais importante que o beijo molhado, da atriz descerebrada e seu desencefálico galã viril.

A última escalação, o milhão, o bilhão, o crack de bola e de pedra na mão.  O perfeito par feito perfeito idiota jamais produzido pela televisão.

O grupo do zap,  o face do cão tem oito bi seguidores postando "bom dia" e o Montenegro, o eterno chato,  cantando a nossa infinda agonia.

A visão azulada da rede na mão, o assunto rasante é dinheiro, política e cobra. Se não for nada disso, tem tempo de sobra.

Fazenda tesouro, ganhando o pão
Morrendo de fome na multidão
comentando elétrico, a traição
do galã varonil que abalou a nação.

Agora eu pergunto, ainda há esperança? Ainda há algo Justo e Perfeito? ainda há esperança, meu Grande Irmão??

( Olinto Campos Vieira)

O Horizonte

O ponto de partida
é o ponto de chegada
Comemorado ou ignorado
por ele ou por ela
É onde se conseguiu chegar
Onde se decidiu começar
Cansou, respirou, prosseguiu.
Exausto, parou, desistiu.
Eu, ela, você
Aqui dentro
Lá fora
Um limite para ver
O horizonte do agora.
Um local para derramar
O sal na terra,
Um lamento,
Um sorriso,
Uma vitória
Uma história para contar
Outra para viver
Outra para guardar na memória
Há vidas que guardam limites
Como  marco zero  de uma trajetória
Linha invisível, para uns aparente
Do fruto, a semente
Que definha ou germina
Há quem exige e quem implora.
Na vida, só há diamantes
Mesmo que se sintam
escória.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Ciclo


Os Homens já chegam com certeza do Adeus
Os filhos crescem e se transformam em pais.
Os pais crescem com o dever da paz.
A paz cresce e forma o nome de Deus.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Vida que segue

Todos dizem “vida que segue”
e o suor escorre nos rostos cansados e sérios.
Movimentos  frenéticos de bicicletas e esteiras de academia;
Cansaço extremo sem sair do lugar.
Tudo conectado ao “vida que segue” como o filme de nossas vidas,
feito pelos donos sem face das redes sociais.
E tudo isso com o recado subliminar:
“ Eu sei o que você fez no segundo passado”
A vida segue sem ir a nenhum lugar,
pois não vivemos as nossas vidas.
Falamos dos homens poderosos e inacessíveis
com incrível intimidade, chamando pelo primeiro nome.
E da mesma forma falávamos há dez anos
com os outrora poderosos inacessíveis
que hoje já são anônimos.
O capitalismo é atraso, socialismo à vista.
O Socialismo é atraso, capitalismo é o novo.
Trocamos Marx por Mark;
Encampamos a ditadura do pre letrariado.
Não se acredita mais nem em Adão e Eva,  quanto mais Adam Smith;
mas o fruto que a serpente ofereceu tem grife;
com mordidinha e tudo.
Apple não é mais o pseudofruto pomáceo da macieira.
Galaxy não é mais um sistema estelar isolado no espaço cósmico.
Somos buchas de canhão e se não há nada de novo na guerra,
vamos ficar  zapeando no front.
Se nao há mais manchetes do dia, eu mesmo faço a minha:
“Fulano de tal está se sentindo entediado na linha de frente da guerra”
Na correria em círculo vicioso, tudo é noticia em tempo real.
E todas elas mudam;
fazem famosos a cada 15 segundos, na vanguarda da profecia de Andy Warhol.
O namorado sem nome da apresentadora frequenta o imaginário popular e atualiza o Genival:
"Ele está de olho é na butique dela."
A volta dos que não foram é o filme do momento.
A coluna social virou policial, o que não é novidade.
Ambas não vendem jornal pois não existe jornal.
E o que interessa não é o que interessa.
Laudas e laudas são escritas e em seguida apagadas;
Afinal, a memória importante é do aparelho e não a minha.
E no toca fitas do meu carro,  procuro no “dial” do meu dente azul
alguma música que preste.
Um refrão ecoa, irritante e ininterrupto :
“O nome dele é Zuckerberg
Encontrei ele no face

O nome dele é Zuckerberg
Encontrei ele no face”

( Olinto Campos Vieira)

Atalaia

Bem no alto mar
Tiraram o meu remo.
Deixaram-me só,
No ar, a jandaia.
Chamei confiando
no dono do céu
Que olhava tudo
Da sua Atalaia.
Ele soprou o vento ,
Que manso e tranquilo.
levou o meu barco
Para a beira da praia.

(Olinto Campos Vieira)

terça-feira, 20 de novembro de 2018

DIA DE PRETO

Todo dia era dia de preto.
Todo dia era dia de preto.

Oxóssi, Oxóssi!
Oxóssi, Oxóssi!

Todo dia era dia de preto
Todo dia era dia de preto.

Oxóssi, Oxóssi!
Oxóssi, Oxóssi

Depois que alguns  homens aqui chegaram,
E dominaram as terras brasileiras,

Voltaram a Africa e capturaram  outros homens.
Homens pretos, laçados como animais.
Homens pretos, centenas, milhares, milhões.

E quando digo homem, digo homem, menino e mulher.

E quando digo homem, homem escravo, menino escravo e escrava mulher.

Para fazer aquilo que o homem branco queria.

Para fazer aquilo que o homem branco não fazia.

Dois milhões de pretos,
Escravos tristes
da África para Terra Brasilis.
Para cá vieram , dentro de grandes navios.

E lá pretos morriam, pretos nasciam.

Eu também morria no navio eu também nascia.

E eu dizia:
Oxóssi, Oxóssi!
Oxóssi, Oxóssi

O preto chorava:
Oxóssi, Oxóssi!
Oxóssi, Oxóssi

E naquele tempo,  todo dia era dia de preto.
Todo dia era dia de preto.

E agora deram a eles 
O dia vinte de Novembro.
Mas agora me deram de pechincha o dia vinte de Novembro.

Amantes da natureza, do trabalho e da liberdade
Eram homens de paz mesmo sendo  escravos comercializados.

Sempre souberam de sua consciência.

De amar a familia, o trabalho, a floresta e Oxossi.

De amar a familia, o trabalho, a floresta e Oxossi.

E em sua história ,
o  preto
É  exemplo puro e perfeito.

Próximo da harmonia
Da fraternidade e da alegria

Da alegria de viver!
Da alegria de viver!

E no entanto, hoje
O seu canto triste;

É o lamento de uma raça que nunca foi muito feliz
Pois antigamente e hoje

Todo dia era dia de preto
Todo dia era dia de preto

Só por causa do preto
A riqueza acontecia
Pois o seu trabalho era duro, suado e silencioso.
E ainda hoje muito preto continua escravo.

E também muito branco que o escravizava é escravo de branco e escravo do preto.
Muito preto escraviza preto.

Mas quem ensinou o que é escravidão?

Quem ensinou, o que é escravidão?

Eles multiplicaram e criaram a raça da Terra Brasilis.

De dois milhões , fizeram duzentos milhões.

De dois milhões , fizeram duzentos milhões.

 E agora deram a eles um dia no calendário, para ficarem felizes,  cantarem e sambarem.

E fazerem palestras, oficinas e seminários, lembrando do dia em tinham todos os dias do ano.

Pois todo dia era dia de preto.

Todo dia ainda é dia de preto.

O navio que vinha, para a África não voltava.

Trazia preto amarrado, preso e amordaçado,
era vendido  em praça pública, para todo mundo ver.

Oxóssi, Oxóssi!
Oxóssi, Oxóssi

Eles olhavam os dentes dos pretos amarrados.
Eles compravam o corpo do preto amarrado.

Mas eles não compravam a sua consciência.

E a consciência do preto era todo dia.

A consciência do preto , do branco e do amarelo é todo dia.

Eu falo do preto porque é sua história que está sendo contada.

Em um só dia!
Em um só dia!

A lei é de um dia!
Dia vinte de Novembro.

Eles estão por aí,
Nos barracos escuros, cadeias e favelas ou como empregados nos filmes e nas novelas.

Não adianta querer sair da realidade. O preto era ouro, o preto era escravo. O preto brasileiro, é essa a sua raiz.

Eu também sou preto, meu dia era todo dia.
Eu também sou preto, meu dia é todo dia.

Os navios negreiros são trens e ônibus lotados. Milhões de pretos em todas cidades.

O pardo é preto.
O moreno é preto.
O escurinho é preto.
Até o branco é preto.

Todo dia, era dia de preto
Todo dia, ainda é dia de preto.

Oxóssi, Oxossi!
Oxóssi, Oxóssi!

Todo dia ainda é dia de preto.

( Olinto Vieira, 20 de Novembro de 2018)

Inspirado na letra "TODO dia era dia de Índio,ver Jorge Benjor)

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Estrada em mim

Nesse mundo tão escuro, já existem tantos muros,  poucas pontes para nos ligar.

 No meu peito eu encontro, uma fonte, um horizonte,   um amor que não vai se apagar. 

 A imensidão do tempo,  me mostra que aqui dentro, 
quero ser pleno de paz.

Campos, planícies,  desertos, 
pés firmes , olhos abertos, o que é meu sempre  me satisfaz.  

 Atravesso os sete mares, Entoando o meu canto,  na fé de todos Altares, encontro meu acalanto.

Aqui estou,  caminhante; sou plebeu e sou infante,  e também navegador .

A estrada me fez forte, o Sol é meu companheiro.
 Na noite  não temo a morte,  o céu é o meu Luzeiro.  

Por seguir um guia cego, já entrei em um desvio, pisando entre espinhos.

 Hoje sou meu comandante e Deus me deu o bastante, sei que não estou sozinho.

Fecho os olhos e assim, compreendo que a mim, 
só cabe o  meu compasso.

E mostrei pra quem quis ver , a diferença sutil entre o tiro e o abraço.

O Universo é  meu lar, com estrelas vou morar,  nasci da primeira flor.

Da terra eu sou o sal, e entre o bem e o mal, o meu norte é o Amor.

( Olinto Campos Vieira)

domingo, 11 de novembro de 2018

O que vc pensaria próximo do ponto final?

Nos minutos finais, encerrando a jornada,   sentindo a proximidade súbita da chegada no ponto final,  não se lembrou da última refeição,  de quanto tem no banco, da prestação do carro, do material escolar distribuído pelas autoridades nem do nome do último ou do próximo governante nacional, muito menos daquela eleição 'importantíssima', ou da senha da sua rede social,  das mensagens proibidas no celular. Não se lembrou do tempo perdido na discussão política acirrada nem da superdimensão  dedicada a isso. Queria desesperadamente  chamar o amigo ou o filho ou a mulher ou o pai ou o irmão ou a mãe para dizer palavras que deveria dizer e não disse; sentiu ansiosanente naquele momento que não  conseguiria fazê-lo. Na cabeça, turbilhão de pensamentos e naquele momento, o que importava muito, muito, era o tempo, tempo, tempo, temp, tem, te, t, ...

( Olinto Vieira11/11/2018)