segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O REINO DE TEMBAKAU


Em uma pequena cidade entre as montanhas de um pequeno Vale, há muitos anos atrás, vivia um povo bom. Ordeiro, simples, nostálgico, amigo e pacífico. Porém, esse povo tinha um pequeno defeito.  Não sabia de sua própria força. Sempre achava que o vizinho tinha mais capacidade do que ele. Por causa desse defeito,  instalou-se uma praga. Todas as pessoas nasciam cegas. Não podiam ver. E enquanto mais os olhos eram deficientes, mais a boca se agigantava. Aproveitando-se dessa deficiência, os governantes, mesmo cegos, sugavam cada vez mais do já sofrido e inerte povo. Tantas foram os desmandos que  Deus lançou um desafio. Quando mais seu povo crescia, mas seus governantes se apequenavam. Tembakau era única.   Tinha personagens peculiares. E muitos diziam que a pena de não enxergar era injusta. Mas Deus sabe o que faz. Até que um dia, os governantes de Tembakau se tornaram anãos. Anãos de 70 centímetros. Mas o povo não podia ver isso, porque era cego. Eles se sentiam pequenos pois recebiam visitas de outros povos e mesmo sem poder ver, o sentimento era de diminuição e devoção ao que vinha de fora. O Tembakausense típico era generoso, solidário e de uma paz que remontava os idos de sua criação. Pessoas silenciosas que acolhiam aprazivelmente quem lá se aportava. Pelo tratamento especial com os visitantes, muitos deles foram cativados e resolveram lá viver. Uns, se integraram plenamente à cidade, o jeito das pessoas, costumes e até mesmo as qualidades. Outros nem tanto. Foram acolhidos e mesmo sem raízes no Município, com a índole malevolente e externa, passaram a instalar o ódio pelo povo da cidade, antes ordeiro. Os que assim agiam, aproveitavam-se de que não eram cegos e podiam enxergar astuciosamente, foram ensinando alguns moradores a como enxergar também. Passaram então a aliciar aquelas pessoas que não tinham o sentimento tão puro como a maioria e essas pessoas foram corrompidas, passaram a ver e assim, torraram-se cupinchas dos que chegaram e foram de boa vontade abraçados pelos tembakauenses de raiz. Esses forasteiros sem história no povoado criaram uma aura de falsa moral,  forjaram relacionamentos carcomidos pela aparência, pela devassidão, pela degradação moral, pela perversão de costumes, espalhando ódio e ironia diabólica entre as famílias de anões que antes viviam em paz. O povo continuava sem saber de sua real força e foram dominados pelo medo e confundidos pelo sentimento de confronto entre si mesmos. A cidade então passou a não crescer, ficando anã, como seu povo. Outro fenômeno se sucedeu. Os desordeiros que visavam apenas o poder e a discórdia, com o passar do tempo diminuíram de tamanho e passaram a se chamar epalburuk. Mas o povo já estava tão acostumado com sua presença que o tinham como heróis, enquanto isso, o que antes era uma cidade de honra e glória, passou a ser de desordem e retrocesso, desvirtuando-se em ironias, chacotas, deboches, maldades , tudo fomentado pelos epalburuk. Se em terra de cego quem tem um olho é rei, imagine quem tem os dois.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O banheiro do Congresso Nacional

Um homem de verdade nunca é preguiçoso.
Mas preguiça não quer dizer nada fazer
Preguiça é passar pelo mundo fazendo
Os mais preguiçosos são os que mais fazem
A qualquer hora do dia e da noite, eles fazem
Em momentos inimagináveis, fazem
Um preguiçoso não se contem
Produz o que mais povoa o mundo
A má política, o entretenimento fútil
Toda série de coisas ruins,
Eles fazem por dinheiro, cobram caro
A preguiça faz do gênio um fazedor
Mas um homem de verdade não precisa nem ser notado
Como a maioria não é.
E chamo de homem quem vive a vida
Fazendo o bem.
Quando faz o mal se sufoca, quase morre.
Não se contenta enquanto não se redime
Redenção consigo mesmo,
Homem mesmo chora a dor.
Homem mesmo sabe quando errou;
Já os preguiçosos se sentem certos.
Diferente do que pensam,
Os preguiçosos não param de trabalhar
Trabalham a obra tenebrosa e fétida
Insignificante e de vida curta
Trabalham até espumar os cantos da boca
Trabalham até suar as têmporas
Alguns querem ser diferentes mas já não podem
Por que o habito de produzir já os consumiu
Até quem pensa que não está fazendo,
Quando menos se espera, la estão eles fazendo
Duas três, quatro vezes fazem.
E o fazem gemendo ou silenciosos
Urrando ou olhando o chão. O chão.
E enquanto fazem não pensam senão no que fazem
Concentrados, animados, vantajosos
Soberbamente eufóricos com o tamanho do que fazem
Orgulhosamente, olham o que fazem
E consigo dizem, os preguiçosos: Eu fiz!
Somente aí desapegam-se da obra.
E apertam o botão da descarga.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Justiça

"Há só uma presença aqui - a da Justiça. A Justiça reina. Todos os atos aqui praticados são regidos e inspirados pela Justiça."
Mas não essa pequena, rasa e cheia de falhas.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

LARGUEM OS ARTISTAS

Engana-se quem quer quantificar o quilate de um artista. Um poema pode salvar uma vida, um livro já fez isso. Como medir essa qualidade? Não temos que exigir nada dos artistas senão sua arte, que já é mais do que o necessário nos dias tétricos que vivemos, desde que o mundo é mundo. Já disse um deles que “A tristeza é senhora. desde que o samba é samba é assim. A lágrima clara sobre a pele escura. A noite e a chuva que cai lá fora. Solidão apavora. Tudo demorando em ser tão ruim. Mas alguma coisa acontece, no quando agora em mim. Cantando eu mando a tristeza embora.” Você entende o que o poeta disse? ou está perdido nos números ou na solidão do seu trabalho de sobrevivência, assim como eu? Que tralha de felicidade política é essa que as pessoas querem? A maioria nem sabe o que quer. Fala-se de paz, onde ela mora? Em que País, em que cidade, em que território ocupado? Paz, sim, eu vejo quando entro no mundo dos artistas. Lá sim, existe paz. Nada deve ser mais próximo do Divino do que a inspiração suada de um artista ao concluir uma grande obra. E tenho cá com meus botões que nenhuma obra prima é assim vista, mesmo depois de entregue ao mundo. Sofre o artista por querer se dar mais e mais. Querer ser melhor entendido. Falo do artista, não dos arremedos ou dos competidores ou dos cofres ambulantes. Falo do artista que nasceu com a missão de trazer momentos de paz e desacelerar esse mundo bisonho, perdulário, bêbado, competidor, escuro. Não que eu esteja querendo mais do mundo. Ele foi feito para ser assim e assim o é para nosso próprio bem. Para, nós, ostras,  aprendermos a produzir pérolas para um dia enfeitarem nossas janelas,  e sabermos contemplá-las sem mercantiliza-las. Engana-se o desprovido de ideias ao querer comparar os artistas com os outros habitantes do planeta. Eles sim tiveram que fazer isso e imagino como deve ter sido pesaroso para Fernando Pessoa ter sido editor, publicitário, ou Drummond,  editor, astrólogo,  jornalista, empresário. Manuel Bandeira não concluiu arquitetura por motivo da tuberculose, doença que o fez sofrer por toda uma vida. Guimarães Rosa, o grande poeta da prosa,   exerceu a medicina, Vinícius foi diplomata, assim como João Cabral de Melo Neto. Muitos não aguentaram como Pedro Nava, Florbela Espanca, Ernest Hemingway. Colocaram o ponto final, eles mesmos. Fiquei impressionado com a morte de um ator pouco conhecido, o americano Nick Santino, que pressionado pelos vizinhos, diante do barulho dos latidos do seu cachorro, e a insistência das reclamações, transtornado, matou o cão e se matou em seguida, deixando um bilhete que dizia  "Hoje eu traí e matei meu melhor amigo. Rocco confiou em mim e eu falhei com ele. Ele não merecia isso.” Eles, meus amigos, os artistas,  vivem em um outro mundo, alheios aos apatetados que levam a vida a olhar o umbigo vizinho, juntar dinheiro para ter uma vida que nunca terão e competir. Ou aliás, apenas competir. Essa vida da sobrevivência nos coloca muito distante de entender quem é nobre em uma arte. Os artistas se conhecem, se interagem, Drummond gostava de Chico Buarque, se deleitava com suas músicas. Quem é política para se meter nisso, é pequeno demais. Irrisório, insignificante. Como deve ser triste a vida desse Noblat, Miriam Leitão,  ou um artista que não se deu conta do artista que é e se envolve nas pantomimas de explicar o que no fundo, as pessoas já sabem desses políticos e dessa vida modorrenta que a gente vai levando, ‘que a gente vai levando, a gente vai levando essa vida’. Eles não. Eles sabem rir. Ou não tem medo de morrer. Então, deixem os artistas quando se lembrarem do ato ignóbil, pernicioso e corrupto da política. Deixem eles escolherem o que eles quiserem porque talvez em uma cena, uma música, um poema, uma dessas pessoas que a mídia massacra por migalhinhas, tenha feito mais pela humanidade do que nós faríamos em dez vidas, apontando erros e competindo. Nós, ridículos, querendo ser melhor que o pior. Esdrúxulo. É quase impossível alguém que vive aqui nesse nosso lado tedioso, entender como os artistas vivem. Eles estão vivendo para o nosso próprio bem. Para termos uma sombra no calor insuportável dessa vida, ou uma lareira no frio de doer os ossos. Nesse terreno tenebroso, são eles que trazem um riso, uma leveza, um conforto, um momento de felicidade. Mesmo que sejam três minutos de música, uma hora e meia de peça teatral, ou cinema; um poema que nos revela a alma. Larguem os artistas porque eles já nos largaram há séculos e deixaram sua alma em nós.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

FÁBULAS DE ESOPO - A LÍNGUA


Esopo era um escravo de rara inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia. Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:

- Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado. 
- Como? Perguntou o amo surpreso. Tens certeza do que está falando? Como podes afirmar tal coisa? 
- Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra. 
Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos voltou carregando um pequeno embrulho. Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua, e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para explicar-se. 




- Meu amo, não vos enganei, retrucou Esopo. A língua é, realmente, a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir. Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos.
- Acaso podeis negar essas verdades, meu amo? 
- Boa, meu caro, retrucou o amigo do amo. Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo. 
- É perfeitamente possível, senhor, e com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda terra. 




Concedida a permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote semelhante ao primeiro. Ao abri-lo, os amigos encontraram novamente pedaços de língua. Desapontados, interrogaram o escravo e obtiveram dele surpreendente resposta: 
- Por que vos admirais de minha escolha? Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores se transforma no pior dos vícios. Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais. Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social. Acaso podeis refutar o que digo? indagou Esopo. 


Impressionados com a inteligência invulgar do serviçal, ambos os senhores calaram-se, comovidos, e o velho chefe, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade. Esopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da antiguidade e cujas histórias até hoje se espalham por todo mundo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Vamos falar de política?

Ta bom, vou falar só um pouquinho de um assunto que disse que não trataria por aqui. Acho o "impichmento" da Dona Dilma um contrassenso; eu acho um extremo equívoco. Por falar em equívocos, está certo, concordo que ela foi e está sendo um. E mais. Fez despertar o que de mais perigoso pode haver em uma sociedade que pretende se primar pela Ordem e Progresso. A volta de uma direita que já estava quase apagada. Não a direita em sua origem, que são as pessoas conservadoras que defendiam o tradicionalismo, a "hierarquia social" e depois deu vazão aos radicais, racistas, preconceituosos e que não vêem que tudo isso desagua em um banho de sangue onde a vingança acaba sendo o principal motivador das atitudes dos governantes e déspotas. Fez acabar também com a esquerda, que inicialmente era o sonho da igualdade social,  da liberdade de expressão, do fim das injustiças sociais e dos privilégios de uma classe dominante e que hoje desandou quando entraram na caverna do Ali-Babá e viram o ouro cintilando. Ficaram cegos. Petrobrás, só nossa???? Ideologia ficou para trás. Não estou falando da Revolução Francesa. Ja estou falando do Brasil, onde a esquerda hoje reúne movimentos sociais, das chamadas "minorias", e etc e tal. Muitos se colocam como vítimas e acham cômodo transferir culpas. Ordem, ao meu ver, diferente do que muitas pessoas pensam, é necessário ser imposta. Não adianta querer fugir disso. Haja esquerda, direita, centro, lateral direita, seja o que for,  tem que haver disciplina, regras, imposição de conduta. Por que não se vê carros corriqueiramente andando na contramão na rua 14, rua 10, Rua do Comércio? Porque as pessoas já se acostumaram com essa imposição das leis de trânsito. Ordem não é um superior hierárquico mandar um serviçal calar a boca ou utilizar censura, ou fazer as coisas sem uma motivação de interesse público. Alcança-se Ordem com respeito e naturalidade. É o líder natural que estabelece a Ordem de forma tranquila. Somente a partir daí pode-se falar em Progresso. Isso em todos os níveis. Culturais, econômicos, políticos. Dentro de casa, em uma família que há ordem, onde cada um sabe o que faz, com respeito e harmonia, é certeza que haverá progresso, nos níveis mais elevados dessa palavra. Mas estamos falando do Brasil, onde a coluna da corrupção, da escassez de líderes ( isso até em nível mundial) e do jeitinho malemolente e da cultura da "ponta"  está cada vez mais forte e difícil de ser rompida. Esquerda e direita não existe mais. Não adianta papo de querer voltar com regime militar, "porque ele que era o bom". Não funciona. O que funciona é algo que as pessoas gargalham quando se fala. Honestidade, moral e querer político de fazer o bem. Em um governo onde o que prevalece é a corrupção e a falta de bons costumes, quando há uma pessoa  honesta no meio, farão de tudo para atropelá-la ou manchar sua honra. Serão tentações mil. Um amigo disse sabiamente que a moral e a ética, (que resumidamente nada mais são do que fazer o certo, o que não corrompe a consciência)  é como se fosse uma estrada montanhosa e íngreme, onde se levam anos para subir 100 metros. Mas a desonestidade em um meio de perversão, para um honesto se sujar, é tão rápido como cair de um abismo de 100 metros. Poucos segundos. E o mar de lama em que se vive é de muito tempo. Há incautos que acreditam que tudo o que vivemos é denuncismo e perseguição. E há outros incautos que acreditam que fulano " colocaria a coisa nos rumos". Aos incautos eu digo que não adianta tentar se esconder, não adianta espernear, não adianta colocar a culpa em A ou B. O próximo governo do Brasil não acabará com a corrupção, infelizmente.Isso é um sistema implantado de forma muito profunda e que se alastrou. Leva tempo para corrigir. A responsabilidade toda disso tudo que vem acontecendo é nossa. Só nossa. Não é de Dilma, não é de Aécio, Lula, Collor, Zé Dirceu, Lava jato, militares. Nada disso, a culpa é única e exclusiva do povo, nossa. Nós colocamos aquelas pessoas lá. Não acredito nesse negócio de "Fulano de Tal não me representa". Representa demais. Mais do que se pensa. Se quisermos ter uma sociedade de honestidade, justiça, cultura, liberdade, respeito à Ordem e certeza de Progresso, comecemos já tirando as máscaras, comecemos já não transferindo culpas. O político errou, que se faça a justiça. Mas se acostumarmos a "impichar" de forma atropelada os maus governantes, sem usar o devido processo legal e utilizando ou mesmo fustigando o clamor público, viraremos um lugar impossível de viver.  Aí sim poderei dizer que acabou a democracia. Elegeremos outro que será "impichado", pelo precedente aberto e virará uma bola de neve. Doeu quando Pelé falou que brasileiro não sabe votar. Ele não tem o cabedal necessário para entender o que disse e nem no contexto e conjuntura que estávamos. Na época foi uma infelicidade atroz pois foi na época das diretas já. Mas eu pergunto agora. Sabemos votar? Qual o critério que utilizamos para eleger quem decidirá sobre nossa segurança pública, educação, saúde, cultura? Tudo isso sendo prioridade. Em quem você votou para deputado federal, estadual, senador? Para Prefeito e vereador é mais fácil lembrar. Acho necessário quem mergulhe fundo nas entranhas desse mundo das negociatas para revelá-las e desmoronar a coluna da corrupção. Mas não sou competente para fazê-lo. Procuro fazer a minha parte falando com as pessoas esse meu modo de pensar. Tristemente eu não me abalo com mais nada, enalteço algumas pessoas que colocam sua vida em risco cumprindo seu dever em um Brasil tão violento com categorias que deveriam ser muito bem remuneradas, como professores, policiais, agricultores. Acredito no Brasil e nos brasileiros pois vejo a quantidade de gente trabalhadora que em pouco tempo fez desse município o que ele é. Gente que vem de todas as partes do Brasil querendo trabalhar. Não acho que Impeachment seja o melhor caminho para a infeliz D. Dilma. Acho que ela deveria cumprir o seu mandato até o último dia, para que a gente possa aprender a saber escolher. E quando digo Dilma, estou colocando-a como representante do governante atrapalhado, para não ser leviano de julgá-la e respeitando o lugar que ela ocupa. Nós precisamos olhar mais no espelho. Eu sei que ninguém é perfeito e as escorregadelas do dia a dia provam isso. Mas se tivermos o hábito de olharmos no espelho a cada "errinho" cometido, e procurarmos escolher os governantes de forma séria, tenho certeza que um dia ainda seremos um País digno de se viver.

COMO MORRE UM LEÃO

Como morre um Leão na selva? Dizem que os animais só brigam por comida, território e sexo. Ou seja. Comida e sexo, já que o território é a causa e comida e sexo o efeito. Mas um Leão, que tem por símbolo a força, o destemor, o ataque, como morre? Sempre vejo imagens de Leões, quando não estão correndo atrás da presa, estão tranquilos, serenos e até carinhosos. Obedientes à seus domínios, respeitam-se um pela predominância da força e liderança de outro. Humildade. Há os mais fortes e naturalmente os mais fracos, o que não quer dizer que a maioria dos outros animais não temam os Leões menos fortes. Por isso a figura do Leão é compreendida como "o rei", "o poder" ou "o que governa sobre os outros". A expressão "Leão de Judá" é utilizada principalmente pela doutrina religiosa dos Rastafari (Leão de Judah) e entre os evangélicos. Mas voltando ao termo inicial (do animal) dizem que o Leão é um animal respeitado desde o seu nascimento até a sua morte, pois é reconhecido entre os outros animais, por seu legado de liderança. Vive uma vida de lutas, de defesas, de honra ao lugar de destaque que lhe foi concedido naturalmente. Um bravo, mas não um agressivo sem sentido. Difícil ver mesmo em cativeiro um Leão esbravejando, rosnando, urrando descontroladamente. Naturalmente ele fica sério,  tranquilo e calmo. Mas é um Bravo no sentido amplo da palavra, e, quando em seu habitat,  traz uma justiça ao não matar por matar e sim, para atender a necessidade de si e dos seus. Um forte, na concepção de já nascer trazendo uma marca de coragem. Hoje, o que vimos no mundo é a covardia sendo destacada entre os homens, a deslealdade, falta de escrúpulos, vaidade de pessoas despreparadas para serem líderes, comandando os verdadeiros Leões, que infelizmente não vem sendo reconhecidos pelas pessoas. Prevalece infelizmente a síndrome da hiena, animal que espera a presa agonizar para atacar, com um semblante que lembra um sorriso sarcástico e cínico.   Corjas de hienas por todos os lados, roubando, levando terror, tentando embaralhar a paz existente entre as pessoas. Mas há homens que tem na sua essência a bravura e a dignidade de Leões. Mesmo em momentos difíceis, sabem que dentro de si há a essência do vencedor e o que importa são os passos que são observados pelos pequenos leões. Há também a reverência do macho à Leoa, lição que todos os homens devem aprender. Há homens com essa força, nisso reside minha esperança neste mundo. Voltando à pergunta inicial,  um Leão morre na selva sendo reverenciado pelos seus companheiros. Vive defendendo seu reinado e morre como sempre viveu,  um forte; abatido apenas pelo que não se pode vencer.

CONCERTO EM DÓ

Quando se perde a sensatez, dia após dia, lentamente, com o tempo a sensibilidade anestesia. Sensibilidade espiritual, inclusive. O que antes se tinha como certeza, gravado no coração, aos poucos se desmancha pois as relações mais baixas, humanas, não nos deixa ver o que víamos além com extrema facilidade. Passamos a perder as conquistas espirituais para as conquistas materiais, a competição com as pessoas por assuntos bobos, que não acrescentam em nada a não se "ter razão" e ganhar o debate. Pura tolice. Guerras que atrasam a vida da gente em todos os níveis imagináveis, ética, moral, emocional e o principal, espiritualmente. Comparamos o que é Alto e sabemos que é Alto, com o baixo que a nossa vida se transforma. Nivelamos tudo por baixo em todos os níveis. O grau competitivo tolo não nos deixa ver nem que perdemos o equilíbrio e passamos a construir a nossa vida em base ocas, que em nada nos edifica. Passamos a ver o mundo com uma materialidade exacerbada, valorizando os prazeres fáceis, assuntos fúteis ou supervalorização de situações de vida, mergulhando fundo na própria insensatez alheia com críticas e intemperança irreconhecíveis tempos atrás, onde teríamos condições de compreender melhor as atitudes alheias. A superficialidade sabotada pelo intelecto nos diminui por nossa própria responsabilidade.É como pintar um belo quadro e tropeçar em um balde de tinta e não admitir ter que abrir mão daquele trabalho e começar outro, por teimosia , orgulho ou preguiça. Essa é uma luta minha, de cada um. Porque dentro da anestesia que se encontra, corremos o risco de perder coisas caras ou falar coisas que demoram ser consertadas.(Olinto Vieira)