sexta-feira, 23 de junho de 2017

O Gramático e o Dervixe

"Numa noite escura um dervixe passava junto a um poço seco, quando do interior do mesmo brotou uma chamado de socorro.
- Que será? - indagou o dervixe, olhando para o fundo do poço.
- Sou um gramático e infelizmente, por desconhecer o caminho, caí neste poço profundo, em que estou agora quase imobilizado - respondeu o outro.
- Aguenta firme aí, amigo. Vou buscar uma escada e corda - gritou o dervixe.
- Um momento por favor! - exclamou o gramático.
- Sua gramática e pronúncia são incorrectas, seria bom que as corrigisse.
- Se isso é mais importante que o essencial será melhor que você permaneça onde está, até que eu tenha aprendido a falar com elegância e propriedade.
E após dizer tais palavras, o dervixe seguiu seu caminho."


(Conto relatado por Jalaludin Rumi e está registrado em "Feitos dos Adeptos" de Aflaki. Editado na Inglaterra em 1965 sob o título de "Lendas dos Sufis", a presente narrativa acerca dos Mevlevis e suas supostas façanhas foi escrita no século XIV.)

3 músicas, 3 histórias!

Dizem que...


A letra abaixo foi escrita em 1973, por Edson Trindade e a música ficou famosa na voz de Tim Maia. Em qualquer roda que tenha um violão, é imprescindível a sua lembrança. Poucos sabem a sua história; a letra não é para uma namorada ou coisa assim. Edson a compôs depois que perdeu a filha em um acidente.


"Não sei por que você se foi.
Quantas saudades eu senti 
E de tristezas vou viver 
E aquele adeus não pude dar...

Você marcou a minha vida
Viveu morreu na minha história
Chego a ter medo do futuro 
E da solidão que em minha porta bate 

E eu gostava tanto de você... 
Gostava tanto de você... 

Eu corro e fujo desta sombra
Em sonhos vejo esse passado 
E na parede do meu quarto 
Ainda esta o seu retrato 

Não quero ver para não lembrar 
Pensei até em me mudar 
Lugar qualquer que não exista 
O pensamento em você 

E eu gostava tanto de você... 
Gostava tanto de você..."

"O MUNDO É UM MOINHO"
Essa outra famosa música, "O Mundo é um Moinho", Cartola não compôs para um amor perdido ou algo semelhante e sim, depois que soube que sua filha era prostituta. Vejam como a letra faz sentido depois que sabemos a história:
"Ainda é cedo, amor...
Mal começaste a conhecer a vida,
Já anuncias a hora de partida,
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar...

Presta atenção, querida,
embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és...

Ouça-me bem, amor.
Presta atenção, o mundo é um moinho...
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó...
Presta atenção, querida,
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés."
A HISTÓRIA DA MÚSICA 'FLOR DE LIZ'

Djavan teve uma mulher chamada Maria, os dois teriam uma filha que se chamaria Margarida, mas sua mulher teve um problema na hora do parto e ele teria que optar por sua mulher ou por sua filha... Ele pediu ao médico que fizesse tudo que pudesse para salvar as duas, mas o destino foi duro e a mulher e a filha faleceram no parto. Agora é possível 'sentir' a letra da música. Conhecendo esta breve história passamos a ouvir a música sob novo contexto, entendendo como a dor pode ser transformada em poema e arte:
"Valei-me, Deus!
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor, eu sei que o erro aconteceu.
Mas não sei o que fez, tudo mudar de vez.
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei, que amei, que amei, que amei.

Será talvez que a minha ilusão,
Foi dar meu coração,
Com toda força,
Pra essa moça me fazer feliz,
E o destino não quis,
Me ver como raiz, de uma flor de Liz.
E foi assim que eu vi nosso amor na poeira, poeira.
Morto na beleza fria de Maria.
E o meu jardim da vida ressecou e morreu.
Do pé que brotou Maria, nem Margarida nasceu.
E o meu jardim da vida ressecou, morreu.
Do pé que brotou Maria, nem Margarida nasceu..."

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Todo mundo precisa de feedback

Outro dia presenciei uma cena interessante e que reflete uma “globalização”de costumes, que vem se manifestando de forma inusitada e surpreendente. Passei em frente a uma construção e um pedreiro gritava para o ajudante assim: Ei Zé, não sobe para a laje agora não, fica de stand-by aí embaixo...Achei engraçado ele utilizar um termo em inglês (com a pronúncia certa) que há alguns anos atrás estava restrito aos papos-cabeça de intelectuais e “metidinhos a inteligentes”, de uma forma assim natural!

Hoje em dia todo mundo quer parecer esperto, inteligente e na moda. Recebi um e-mail de um leitor e resolvi abrir com vocês as críticas que ele me fez, que tem tudo a ver com o diálogo do pedreiro. Claro que fiz algumas adaptações para dar uma “ilustrada”, mas a essência permanece: “ Caro colunista, outro dia, lendo sua coluna, tive um insight interessante a respeito do isolamento que nós estamos aqui na Amazônia. É isso mesmo.

O mundo dito ‘civilizado’ nos relega a um plano underground meio cult meio trash e se aproveita de um suposto distanciamento, criando as suas próprias filosofias a nosso respeito. Fazem um check-list de nossas pseudo necessidades e vem sempre com o mesmo discurso blasé, depreciativo e mascarado a respeito dos chamados povos da floresta. Olha colunista, a impressão que tenho é que estamos sempre em off; o fato de o mundo achar que somos undergrounds não é nem um pouco positivo para nós, pois a nossa voz não é marcante o suficiente para que tenhamos o necessário feedback. Todo mundo precisa de feedback, colunista!

Hoje em dia as distâncias não separam nem isolam ninguém. Ta todo mundo linkado com as novidades e avanços do mundo moderno. Do Oiapoque ao Chuí. Engana-se quem pensa que somos menores ou inferiores a quem quer que seja. Estamos todos plugados, antenados ao que há de mais moderno. É só ver como andam lotados os Cyber´s e Lan-Houses daqui e de qualquer cidadezinha do interior desse estado (ou desse País). Aliás, cybers já estão acabando. Qualquer celular é um cyber.

Hoje em dia, todo caboclo que se preza tem que estar ligado, zapeando legal e entender do riscado cibernético. Então, colunista, estou te dando esse feedback para que você possa, com seu feeling jornalístico, trazer assuntos menos regionais e mais abrangentes, focando um público mais in.

Sem mais, um leitor atento aos avanços do mundo.”

Ao receber esse e-mail eu me lembrei imediatamente de uma música de um caboclo do Tocantins chamado Juraíldes da Cruz que fala assim:

“Se farinha fosse americana, mandioca importada, banquete de bacana era farinhada. Andam falando que nóis é caipora, que nóis tem que aprender inglêis, que nóis tem que fazê sucesso fora. Deixa de bestaje, nóis nem sabe o portuguêis. Nóis somo é caipira pop. Nóis entra na chuva e nem móia, meu I love you, nóis é jeca mais é jóia.”

Filho


Filho é bom, impulsiona, não me faz ficar parado;
me faz pensar e agir. Me faz suar e  rir. Me faz acordar
Me faz dormir para acordar e crescer. Me faz ensinar
 a ser professor e aluno,  explica sem explicar, o que é o Amor.
Quer tudo ao mesmo tempo, agora.
Filho me ensina a não querer morrer.

O Poema fala

Quem fala, fala, extrapola a fala
Atropela as palavras, já não sabe
O que de si saiu;  não cala porque se perdeu.
E quer se encontar mas já não sabe.
“Porque não te calas?” Porque é ‘permisso’
A alguns o direito de abrir a boca e falar
E ensinar o que não aprendeu.
Falar demais incita a ira, calar as vezes também.
O coração do homem é um cofre

Cujo segredo são palavras.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Nome de santo....

Dos Santos, de Jesus, Santana, são centenas que são
criminosos inescrupulosos com nome nas páginas policiais. 
Não são apenas os Silva
que são apontados como nome simples
que estão respondendo a crimes hediondos.
De Marcos a Mateus, de Lucas a João, de José a Paulo.
Nomes e homens. Amigos ou não. Santos e pecadores.
A melhor forma de se conhecer que uma pessoa
não sabe ser amigo é como ele se comporta
com um pequeno sucesso de outro.
Se houver competição ou lá no fundo ,
bem no fundinho, detectar-se um fino amarguinho de mal estar
 está lá o sentimento terrível, inconfessável,
impeditivo de crescimento e com nome feio
que é chato até de escrever, veja! 
Quem sofre desse mal e o dedica a um pseudo amigo,
não tem amigo nenhum, simplesmente porque não sabe ser amigo.
Independente do nome. Amizade é, antes de tudo uma ciência. 
O amigo se doa, se coloca à ordem quando mais se precisa
e está do seu lado até quando menos se precisa.
Amigo sabe dar, sabe servir, sabe pensar primeiro no outro do que nele.
 De que adianta o seu filho ter nome de santo?

E quando...

E quando todas as esperanças se esvaírem,
quando nada mais houver no seu íntimo
que lhe dê uma mínima esperança de continuar a viver,
não adiantam palavras,
não adiantam abraços,
não adiantam apelos.
 Quando aquele sentimento amargo lhe subir de dentro para fora
lentamente, como uma mão, apertando
Não o deixe dentro!
Viva o suficiente para derrotá-lo.

(Olinto Campos Vieira)

Pessoa

Pessoa, Pessoa
Não criaste apenas nomes
Recebeste Pessoas
Uma só não bastava
Outras precisavam existir
Eu sei, somos todos nós
Adivinhaste , Pessoa!
Mais!  Leste algumas almas,
Recebeste o furor de uns, a mansidão de outros
Num só Pessoa, em mil se multiplicaram.
E sofreste, Poeta, as dores de todos.
Choraste minhas lágrimas, anteviste meu desterro
Eu não soube perceber.
Os poetas sofrem e você muito mais,
Por que não vivem as palavras
Vivem o sentimento, aflorado, latente
Não é apenas a palavra, é o que ela invoca
Traduziste, trabalhaste, gravaste e viveste.
“Poetas do mundo, reuní-vos”
Foste tu quem chamaste para si este legado
Não nos deixaste nada, estás aqui.
Porque em todo poeta há Deus
Adeus no poeta não existe
Por que eles são chegantes, apenas. Não partem
Não há poeta indo, abra um livro e veja
Veja sempre um poeta chegando.

(Olinto Campos Vieira)

O Banheiro do Congresso Nacional I

Um homem de verdade nunca é preguiçoso.
Mas preguiça não quer dizer nada fazer
Preguiça é passar pelo mundo fazendo
Os mais preguiçosos são os que mais fazem
A qualquer hora do dia e da noite, eles fazem
Em momentos inimagináveis, fazem
Um preguiçoso não se contem
Produz o que mais povoa o mundo
A má política, o entretenimento fútil
Toda série de coisas ruins,
Eles fazem por dinheiro, cobram caro
A preguiça faz do genio um fazedor
Mas um homem de verdade não precisa nem ser notado
Como a maioria não é.
E chamo de homem quem vive a vida
Fazendo o bem.
Quando faz o mal sufoca, quase morre.
Não se contenta enquanto não se redime
Redenção consigo mesmo,
Homem mesmo chora a dor.
Homem mesmo sabe quando errou;
Já os preguiçosos se sentem certos.
Diferente do que pensam,
Os preguiçosos não param de trabalhar
Trabalham a obra tenebrosa e fétida
Insignificante e de vida curta
Trabalham até espumar os cantos da boca
Trabalham até suar as têmporas
Alguns querem ser diferentes mas já não podem
Por que o habito de produzir já os consumiu
Até quem pensa que não está fazendo,
Quando menos se espera, la estão eles na labuta
Duas três, quatro vezes, fazem.
E fazem gemendo ou silenciosos
Urrando ou olhando o chão. O chão.Estão no chão.
E enquanto fazem não pensam senão no que fazem
Concentrados, animados, vantajosos
Soberbamente eufóricos com o tamanho do que fazem
Orgulhosamente, olham o que fazem, gostam do que veem
E consigo dizem, os preguiçosos: Eu fiz! Fiz! Sim, fiz!
Somente aí desapegam-se da obra.
E apertam o botão da descarga.
Vendo a obra escorregar, dançando cano baixo, rodando.
'E logo então, saem por ai a produzir mais,
Governam sem temperança súditos mais preguiçosos ainda
formam legiões, vão a guerras
estão destinados a historia de pequenos mundos transitórios
cantarolam sem parar musicas sem sentido
eles não se cansam de esperar a próxima tragédia particular 
fuçam todos os sites em busca de escândalos
os homens preguiçosos alardeiam sobre si mesmos,
historias que nunca viveram
livros que nunca leram, filmes que nunca viram.
Deitam cedo e sonham com o cotidiano
que moram em suas mentes como peste.
O homem de verdade não precisa buscar
na memoria a verdade que viveu
Assim não precisa repetir mentalmente quem ele é.
O homem preguiçoso obra em tudo que faz 
e esparrama isso em um mundo cheio de inutilidades.
Tenta decorar a historia que conta, 
no interesse de manter a mentira como verdade.
o homem de verdade versa sobre si na pratica do bem,
o preguiçoso versa sobre a pratica do bem do outro.'

Olinto e Lincoln Campos Vieira

Tigresa

Tigresa, você tem os olhos sinceros
Só se engana quem quiser, ou for tolo.
Mas eu te acho "tetéia", para usar um termo "sukita", bem anos 70
E doce com o coração, despejando amor e bem querer
Uma fera que calma anda lentamente, quase em câmera lenta
A observar os mínimos movimentos ao seu redor
Movimenta só com os olhares soltando informações
E as pessoas tem medo da tetéia com massa encefálica
Estranham o que há dentro daquela cabeça
Pois os olhos só vêem o corpaço e a beleza
Ah tetéia, você pode não acreditar no que quiser
Desde que acredite em mim e em quem te gosta
Recusa-se a ver Dorian Gray imaculado de cinza
Prefere sempre o original, deturpado de Wilde.
Wild, Take a walk on the wild side
Isso você ja faz ha tempos
Desafia a zona de conforto e se sobrepõe ao que era antes
Se refaz de qualquer dor e permanece atual
Uma fera que ruge 
Mas sintoque só quer dormir com uma canção de ninar