terça-feira, 10 de julho de 2018

Uber Vitória-Minas

Esperando o Uber, faltam 12 minutos.
 São minutos de poesia e não de espera.

 De quem aproveita o tempo e contempla nas palavras algo que sempre se recupera.

O motorista sequer sonha que torço para o tempo parar;
Para o tempo da memória ter memória na vida.

Tudo ficou instantâneo, mais que o macarrão.
O trem demorava horas, o ônibus, dia sim, dia não.

Taxi eram dois ou tres,
O uber chega a jato.
A beleza do mundo acabou,
Em um, dois, três...

 Quer água, doutor, um café?
E o Waze guia o homem sem fé, que guia o carro, que me deixa no meu destino, muito educado e fino.

Eu pontuo, pois ele ganha com isso e eu ganho tambem.

O que hoje faço no Uber, fazia bem melhor no trem.

( OCV 00:28)

Amigo está perto

O ser humano  as vezes corta  palavras, quer sintetizar, quer o necessário, compreendendo equivocadamente o que disse o poeta. Hoje ensina-se o necessário e se contenta com o necessário. Se exalta o necessário, até!  Quando ouvimos uma bela música, tem até quem lê " a amizade sincera" e não compreende a sensibilidade da poesia e diz que "toda amizade já é sincera". E , " é um santo remédio, um abrigo seguro", em seu crivo, só consegue ver um 'remédio e um abrigo', ja que ambos, por sua natureza, são santos e seguros. Mas venho aprendendo que o amigo pode sim ser redundante, farto, generoso, sem exagero. O superficial constrói laços superficiais, com linhas frágeis, incapazes de resistir às intempéries próprias da amizade e acredita (quase). Amizade à distância virou praxe. Rochedo e mar não existem nesse tipo de ligação. " Por isso, se for preciso, conte comigo, amigo, disponha!" Sim, nas lutas do dia a dia, sorrisos e lágrimas, saber que as palavras acima sao mais do que meras palavras, confortam, faz sentir a mão na mão, de forma segura e firme. Um pai ou um amigo nao dorme direito se um filho ou amigo sofre no quarto ao lado. Amigos de telefone, de WhatsApp, da consistência do algodão doce, se proliferam na correria do dia a dia. Um milhão de amigos é meta, mas "mesmo apesar de tão raros não há nada melhor do que um grande amigo." Aquele que tem uma pequena casa com um imaginário portão bem largo 
"que é pra se entrar sorrindo 
nas horas incertas, pois amigo é pra ficar, se chegar, se achegar, 
se abraçar, se beijar, se louvar, bendizer 
Amigo a gente acolhe, recolhe e agasalha 
e oferece lugar pra dormir e comer". E as "horas incertas", tão bem ditas pelo poeta, são aquelas em que não pensamos em nossas dores e sim na dor do amigo. Afinal de contas, nessa vida, nossas lágrimas mais sagradas e dolorosas são, em grande parte, causadas por quem nos ama. Pais, filhos, irmãos, amigos de longa conivência. Pessoas que, "teoricamente" queremos bem. E hoje, na grande sala de espera de uma UTI, vejo pessoas desconhecidas chorando, e sem nenhuma explicacão, se abraçando, sem saber sequer o nome um do outro e se amparam e são amparados. Em um minuto o coração faz feliz e já se sente feliz. Esse é o convívio do crescimento, o olhar que lhe é dirigido, o sorriso, o ombro. Essa é a vida real. ( Olinto Campos Vieira, primeira  quarta feira de julho de 2018)

É do jeito que a vida quer!

Quando era criança, meu pai comprou uma fita cassete do Benito de Paula e eu ouvia uma música que começava assim: "quem me vê sorrindo desse jeito nem sequer sabe de minha solidão". E era como eu me sentia. Um senso de humor só meu, só com pessoas selecionadas pela minha sensibilidade. Aos outros, silêncio, falta de assunto, timidez. Assunto para mim não faltava pois eu lia muito, ouvia musica boa, sempre me interessei por arte. Mas compartilhava somente com poucos amigos. Ainda existia uma dor perene, lágrimas que não tinham uma fonte certa, um vazio, incerteza. Coisas que hoje se tratam com palavras, autores, livros e medicamentos iguais para pessoas diferentes. Nomes que ganham significados sofisticados e eu nao desprezo.  Vencendo aos poucos a insegurança, descobri como utilizar algumas coisas positivas para eliminar negatividades. Para a timidez, um  gesto inesperado de humor que cativa. Para o complexo de inferioridade, o estudo concentrado em algo que eu me considerava incapaz de resolver. Para o reconhecimento, um olhar firme, uma palavra forte, um passo decidido. Descobri um líder. Sem livros de auto ajuda; não que eu seja contra, pois lutando contra preconceitos, aprendi que algumas pessoas utilizam a crítica para menosprezar quem eles próprios querem ser e não conseguem. A própria vida me mostrou de onde vim e hoje vejo mais claro. E continuando a música que meu pai gostava quando eu era menino, homenageio a ele mesmo, que ontem completou quatro meses de uma luta que poucos sobreviveriam como ele vem vencendo: " é que meu samba me ajuda na vida,
minha dor vai passando, esquecida
vou vivendo essa vida do jeito que ela me levar.
Vamos falar de mulher, da morena e dinheiro
Do batuque do surdo e até do pandeiro
Mas não fale da vida, que você não sabe
O que eu já passei
Moço, aumenta esse samba que o verso não pára
Batuque mais forte, a tristeza se cala
Eu levo essa vida do jeito que ela me levar
É do jeito que a vida quer
É desse jeito." (Olinto Campos Vieira, primeira quinta feira de julho de 2018.)

domingo, 1 de julho de 2018

Cego, mudança e vida!

Isolado há mente, e mesmo na luz artificial o Sol brilha. Luz técnica com a mente, não há lamento. Pensamento musical, ré, mim sem dó. No frio de um clima só, há calor na memória. E ela não entedia, pois entre os dias, que são tantos, há uma nova mentalidade. Todo dia, que não sei que feira, é a segunda, terça, quarta, quinta, sexta chance. Todos os dias um Sabbath Shalon. Um novo dia de Sol, mesma semente, um segundo, ávida vida para se replantar. Reis mortos não servem ( só para quem os querem mortos). E os vivos, plebe que só respira,  segue tendo os dias  para alimentar a tortura do medo da certeza do cego, pois o Sol que brilha nao chega no ideal já que o desequilibrista não se firma na corda que ele mesmo criou para o facho de luz do Sol clarear sua mente.  E, sem como fugir, o que resta é a multiplicação da falta de ação e um  sofrimento sem fim. Pois o que muda incomoda, perfura, atinge quem se deixa ferir por não respeitar os vivos. E definitivamente tudo pode mudar, até eu, até você. ( 12:21)

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Vida em mim

Não sou histérico nem sou normal. De longe posso parecer, mas o poeta, de perto decifrou, o ser humano nao está totalmente no controle.

Perde ou vence  nos acréscimos, ou joga uma longa partida, com gol feito aos poucos.

Meu coração nasceu só e assim vive no fundo do peito. O silencio essencial, vive na sensibilidade e respeito.

 Sou do mundo, de todo mundo, da lagrima e sorriso, um dia apagado, outro aceso. Percebo a procissao que passa, tanto dispersa, e eu junto dela.

O caminho sem peso, com o passo mais lento, com o meu sentimento, com o meu desejo. De paz, quietude, compreensão e silêncio.

 Barulho, sorriso, e no mundo indefeso. Contando com a luz, a colheita e a força, para a paz vir ao peito acalmando a dor. E na calmaria sentir o momento de ter a grandeza que é o Amor. (Olinto Vieira, 13/06/18, 00:55)

domingo, 22 de abril de 2018

Os dias, o tempo


A vida foi dura , bateu forte, pisou sem piedade?
Não, apenas a colheita foi feita
do que certamente foi plantado
Tão forte, que vi que amor não está em flores artificiais
Tão forte, que percebi que amor não está visível
A qualquer olhos.
Tão forte, que vi flores em mãos artificiais!
Vida também é presença, distante
Saber que estou aí, estando longe
Saber que estar e ficar são verbos fortes
demais para serem traduzidos por palavras
É reconhecer que a delicadeza do gesto de calar
É a mesma delicadeza do gesto de ouvir.
A natureza cala, ouve.
Silencio que poucos ouvem; de poucos vem
É a pequena semente que um dia foi plantada
E devagar, regada, bem devagar, germinada
Lentamente trabalhada e timidamente surge!
Tenra, pequena e verde, do chão fecundo
Que depois do vendaval foi cuidadosamente preparado,
Lenta, pausada, suavemente planificado,
Em mim também bateu forte, mas consigo sentir
Consigo perceber a vida,
no meu chão antes destruído
Não por gestos lugar comum de gentileza fútil,
Não por beijos e abraços, ou sussurros
Ou espasmos ou gritos de um frenesi sem nexo.
Volúpia que que se apaga como fogueira
A vida em mim se mostra forte como uma árvore
Arrebatando o chão, crescendo desvairadamente
Resistindo aos dias, ao calor, à chuva,
Para um dia voltar ao chão,
Da mesma maneira que a mais pequenina flor
Que em sua aparente fragilidade
Morre multiplicando o jardim.
e nasce novamente; é a Vida!
( Olinto Vieira, 02/05/2018 20:00)

sábado, 21 de abril de 2018

SINFONIA DA PAZ - ( Para Hipólito Reis)

Não tarda ainda, já que  semeou  bons frutos vida afora,
Se prepare  sem culpa ou remorso  para felicidade que chega
Breve vem vindo  dias de alegria;  já provou todo o fel da tristeza.
Apenas porque comeu pão embolorado nos dias cinzentos,
não pense não ser merecedor de viver dias intensos de brilho do sol.
Carregou fardos pesados por longo tempo, perdeu a esperança
Mas não manda nela, não manda no porvir, ciência exata.
Uma matemática sublime, certa e paciente, que a todos alcança.
De repente abre  a janela, olha no espelho e se depara com um homem novo
O futuro que tanto almejou  chega  sem  você observar.
Todo o seu soldo esteve guardado  na gaveta do tempo
O ferimento que hoje sara foi de  uma pedra atirada
 por você mesmo
Ricocheteou  no nada, ganhou a dimensão do espaço e acertou dois  alvos
Um deles era você;
eis uma dor impossível de se mitigar,
 tem que ser sentida.
Mas o perfume que ora exala  originou de sementes plantadas por  você
Venha colher frutos sãos e doces, venha sentir o aroma de perto
Venha ver a beleza do jardim que  hoje se forma frondoso, com as sementes
cuidadas  e regadas com carinho. Sim, você é o autor dessa beleza, creia.
Cada suor derramado, cada lágrima vertida, cada dobrar de músculo cansado
na longa jornada da vida, estão gravado nesta seara fecunda.
São flores sem espinhos pois você já os tirou, um a um.
Cravados em sua alma já não mais se encontram .
Prova o gosto da felicidade, se satisfaz com suave água de fonte cristalina
Feche os olhos, sim não está  sonhando, eis  a primavera eterna.
Eis a felicidade ao alcance de suas mãos, mansa e palpável.
Já não mais necessita de pressa, tudo agora é realizado no tempo certo.
Não mais necessita de dor, nunca estará cansado e andará
no compasso ritmado do Universo, grande acolhedor dos tempos.
Tudo agora é sonho ,que  é também realidade inconfundível.
Venha,  agora é a hora de sorrir,  pois você já vê face a face
Você se ofereceu, sem saber, um triste Requiem  por anos e anos
Escute agora eternamente  a grande sinfonia  também composta por você
E voltando-se por completo para si mesmo, ouça o incrível som
do completo silêncio que é o  monumental  e fascinante domínio da Paz.

PENSAMENTO, LIBERDADE E ESCOLHA

Saber discernir é a voz silenciosa da razão em momentos que o obvio é tão claro que ofusca. Se só existe, na atualidade o joio e o joio,  que pelo menos não vistamos o seu uniforme, sob pena de cometer enganos irreversíveis. 

Não quero crer que passamos de um estágio de torpor à fase de torpeza da inteligência. Nunca precisamos dela tão viva.

A proliferação do pensamento néscio equivale a sobrevivência de periplanetas em caso derradeiro de exterminação de todas as outras espécies. 

Difunde-se um pensamento neardenthal, cujo cérebro lento, afasta de si a capacidade real de raciocínio lógico em expansão infinita para uma estagnação, ou mesmo um regresso inglório a uma posição de obscurantismo histórico. 

Vejo um côro raivoso abafando o manipulado, tomando tenras consciências e as fazendo colocar mordaças em si. Uma marcha ruidosa de maus sentimentos  acrescidas de limitado périplo à superficialidade.

Tal atitude é capaz de demarcar um nível raso de compreensão aos questionamentos humanos mais básicos, como a liberdade. Somente uma anestesia cerebral justifica uma multidão de lorpas prestes a construir um labirinto ao redor de si mesmo, aparvalhados pela paixão de suas convicções incertas.

Quem se assenhora de si, não permite ser personagem de uma historieta de tragédia anunciada. Um dos bens mais preciosos do ser pensante é a capacidade de sonhar e a possibilidade de transformar as experiências de imaginaçao do inconsciente em realidade possível. 

Não nos contentemos em fazer menos do que nossos ascendentes fizeram por nós pois somos o reflexo  que nossos descendentes terão como parâmetro e o nosso maior legado é a nossa  ação.

 ( Olinto Vieira)

CORAÇAO ACELERADO


  • O Meu coração bate à golpes de machado em mourão. Agora já sem motivo e sem controle. O meu coração de menino está cada vez mais menino. Acelera, corre sem destino certo, bate, tropeça, cai, se levanta. Meu coração está descompassado com meu corpo. Desobediente aos comandos prudentes, sai como um cachorro solto pela relva, pula, teima em trombar em si próprio. O meu coração salta do peito como naquele instante mágico , frações de segundo, do primeiro beijo, lábios se tocando levemente e coração saindo pela boca. O meu coração de homem está cada vez mais distante dos problemas do mundo, está cada vez mais perto de querer o que não conhece, ou o que conhece de saudade. E bate sem qualquer cerimônia , sem dó nem piedade, como um menino arrastando um velho, sem maldade, mas com vigor impensado de que eu já não o acompanho na mesma velocidade. Mas quem sou eu para comanda-lo. Vai coração, cantando "Bem-te-vi, Bem-te-vi " até onde Deus quiser que você pare. ( Olinto Campos Vieira)

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Filho


Filho é bom, impulsiona, não me faz ficar parado;
me faz pensar e agir. Me faz suar e  rir. Me faz acordar
Me faz dormir para acordar e crescer. Me faz ensinar
 a ser professor e aluno,  explica sem explicar, o que é o Amor.
Quer tudo ao mesmo tempo, agora.
Filho me ensina a não querer morrer.