terça-feira, 16 de novembro de 2010

"...Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós,,,"

Passou-se o 15 de Novembro , onde comemoramos, em todo o Brasil, a Proclamação da República. Será que somos um País que pode se dar ao luxo de bater no peito e dizer, como no hino: “ Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”? Para mim, isso seria uma realidade se não tivéssemos entraves estruturais básicos, em todas as regiões do País que nos mostra uma outra face, caótica e crônica, ao longo de centenas de anos. O mais importante é que tristemente, muitos brasileiros mantém dentro de si o servilismo manco que caracterizava boa parte de nossa liderança naqueles idos de 1889. Hoje, mais de uma centena de anos depois, estamos lutando para nos livrar das garras de nós mesmos, brasileiros, atordoados pela falta de escrúpulos, vivendo a vida e tendo a sensação de que um dia a mais nos faz sobreviventes. O Brasil dito independente de hoje é aquele mesmo País que produz mães que jogam filhos recém-nascidos nos esgotos, que trata mal os seus velhos, que tem milhões de crianças nas ruas, desaprendendo a ser gente.

Como é que podemos nos livrar da mentalidade minúscula que turva a visão dos pequenos políticos, que vivem duelando entre si na televisão e, após os holofotes desligados, se abraçam gargalhando?

Sei bem que ficamos tutelados por Portugal que manteve sobre nós um histórico de exploração direta de 300 anos e um legado de acomodação que caracteriza de forma triste uma parte de nossa história, já que , mesmo tendo ficado com uma mordaça portuguesa durante séculos, permanecemos com outra (militar), até recentemente sob o nosso próprio consentimento. Acredito que muita gente até gostava daquela repressão porque tem tantos que lamentam o fim da ditadura. – “ Com os militares sim, era outra coisa....” suspiram muitos incautos, sem saber da nossa autoestima sempre tão pisoteada; credito a isso, além da herança de acomodação deixada por Portugal, a um fascínio que muita gente tem de “ ser mandado” ( Freud explica...). Em muitos lugares do mundo, o Brasil é “aceito” muito mais pela importância estratégica do que pelo real valor; ainda mais nesses tempos de ‘pré-sal’. Mas a bandeira da proclamação da república é válida, concordo que ao termos um “estandarte’ para nos apoiar, criamos um mecanismo de respeito perante a nós mesmos que nos devolve, um pouco, a grandeza que cada brasileiro simples e trabalhador representa, de resistência e amor ao Brasil. Mas, não podemos dizer que somos independentes; nenhum país desse mundo globalizado o é. O ideal mesmo é resgatarmos a satisfação por morarmos em um belo País que tem uma natureza privilegiada e um Povo que trabalha, sofre, vibra, chora, ri e tem Fé!

2 comentários:

Margareth disse...

Expressou-se magnificamente... parabéns, herdou este talento de sua mãe.
Abraços
Margareth

OLINTO disse...

Grato, Margareth. Seja sempre bem vinda!