quinta-feira, 4 de julho de 2013

As peripécias de um mineiro/paraense em New York - Parte I

O nosso amigo Alípio Mário Ribeiro, figura ímpar de Parauapebas, de Coronel Fabriciano (e do mundo!), professor de primeira linha, está nos Estados Unidos. Melhor, está na Capital do Mundo, New York. Ganhou uma bolsa de estudos concorridíssima para aprimorar ainda mais o seu inglês, que já é fluente. Inglês com sotaque mineiro! E cada dia que ele passa por lá, tem uma história interessante para contar. A de hoje, hilária, é a primeira de várias que registraremos aqui nos próximos dias, com a autorização dele. Me lembra o livro A História de um Cucaracha" do genial Henfil. Vamos lá: 
"UM DIA DE "MANÉ"!! ( por Alípio Mário Ribeiro)

"Perguntar não ofende...

A cidade de Virginia Beach é grande, bonita e bem cuidada. Banhada pelo oceano Atlântico , está ao lado de Norfolk, que possui a maior base militar dos USA! Tem uns 500 mil habitantes.

Paula me recebeu maravilhosamente. Fomos almoçar num restaurante chamado Catch 31, no Hilton. Quando entramos, pensei: "tô lascado! Aqui deve ser mais caro que comprar na Channel ou no Bebericar!" Ledo engano. Almoçamos muito bem e bebemos alguns drinks deliciosos por uns 120 reais.

De lá, fomos andar pela praia. Preciso rever meus conceitos e gosto pelas coisas. A praia é tão limpa e cuidada que achei feia. Estou tão acostumado com as praias no Brasil... Não quero, nem estou depreciando meu país, por mais que alguém pense isto. Nossas praias são as mais belas do mundo, e, muitas, também são limpas e bem cuidadas.

Paramos num "boteco", (confiram pelas fotos) super legal, para beber um cocktail e alguns "shots". Tiramos várias fotos. Enviei logo algumas pra minha esposa gostosona e linda, Vanessa, e para minha preta, Luana.

As pessoas vão me estranhar quando eu voltar. As palavras mais usadas aqui são: "please" e "thanks". E, qualquer coisinha de nada que se faça, um esbarrãozinho que seja, lá vem o "sorry"...

As frutas e algumas outras mercadorias ficam do lado de fora do supermercado, na calçada. Se quiser levar, leva. Não tem alguém pra te impedir. Mas, claro, as pessoas pegam, entram e ficam na fila pra pagar. Como seria se fosse no Peba?

A Paula, que mora por aqui há uns 200 anos, se perdeu. Se não fosse o GPS, estaríamos perdidos até agora.

Chegamos à casa dela. Típica, bonita, confortável e muito bem cuidada e organizada. David, o marido dela, recebeu-me com um honesto e afável abraço e muitos sorrisos. Ele disse num bom mas cheio de sotaque português: "Paula fala muito de você aqui. Diz que você é muito engraçado"!! Apresentaram-me Crystal, a linda filhinha do casal. Eles falam com ela em inglês e português.

Será que a Lúcia Paula Daiane Milhomens Ribeiro falou pro marido que eu trabalho num circo? Logo eu, o rei da seriedade? Deixa pra lá... Vou "queimar" a Paula agora não. É ela que vai cozinhar pra gente. Dei uma olhada no armário do banheiro, vi uns vidros com caveiras. Lembrei dos filmes de suspense americanos. Vai que algumas gotas daqueles vidros pinguem, por acaso, na minha comida?

Paula foi mostrar a casa. Coisa de brasileiro ou americano? Ao mostrar o banheiro a ser usado por mim, perguntou: - "Você sabe usar o banheiro?"

Quem não sabe usar um banheiro?

- " Claro que sei!" - Respondi.

Fui logo tomar um banho, ou "banhar", como dizem os maranhenses. Tentei cagar, mas, toda vez que fico muito tempo sentado ou viajando, e viajei 9 horas de trem de NY pra cá, encalho. A merda não sai nem com laxante. Depois de uma sensacional mijada de mais de um litro, fui baixar a tampa da privada. Como estou acostumado com aquelas tampas leves e de plástico, deixei a tampa cair. O barulho que ela fez pareceu um tiro de canhão. A abençoada da tampa devia pesar uns 8 kg!!

Alguém gritou lá de baixo: " Tá tudo bem aí?"

Gelei todo. Que vergonha!!

A banheira é igual a do quarto da escola. Pensei: "beleza".

Abri a torneira do chuveiro, conforme faço sempre e entrei na super ducha!!

PQP, viu!!!!!! A água estava fervendo mais que água de vulcão. A pele das costas estava pra virar pururuca! (Pururuca é o nome dado quando se joga azeite super quente na pele do porco, quando assado, para ficar sequinha e crocante). Foi tudo muito rápido. Não sabia se rasgava as cortinas, se gritava, se chorava ou se pedia pra morrer! Virei de peito pra água quente (o peito cabeludo ajudou a proteger), protegi o 'pelancudo' e fechei a torneira! Que sufoco do ca...!!! Que coisa de mané!!! Por que não deixei a Paula explicar o funcionamento do banheiro?"


3 comentários:

Alipio Ribeiro disse...

Cadê os leitores??? rsrsrsrsr

Anônimo disse...

Muito bacana e hilária a história!! Parabéns!!!

OLINTO VIEIRA disse...

Cadê os escritores? Eles lêem, mas um texto desse é SEM COMENTÁRIOS! rsrs