quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Mauro Betting e o Galo


Este ano o Galo machucou de novo o meu coração. Liderou por algumas rodadas o Brasileirão e no final ( bem antes da final) tombou, terminou em sexto. Mas não tem nada não, ser atleticano é maior do que isso. Li um texto do jornalista Mauro Betting, por ocasião do centenário do Atlético que reflete muito bem isso. Serve para todos os times que não se contentam apenas com títulos.




COISAS QUE SÓ O ATLETICANO ENTENDE




" O melhor lance do Atlético não foi num jogo. Foi fora dele. Foi numa derrota. Minto, num empate de um time invicto, o supervice-campeão brasileiro de 1977. Não foi o melhor jogo ou jogada. Mas não teve nada mais atleticanoque aquilo: depois da derrota nos pênaltis para o São Paulo,Mineirão e Brasileirão estupefatos pela queda sem derrota de umsenhor time de bola, os jogadores baqueados e barreados pela chuva epela lama se abraçaram no gramado e assim foram ao vestiário.


Foi a primeira vez que vi a cena reverente que virou referência. Ninguém estava fazendo marketing (nem existia a tal palavra). Nenhumjogador estava jogando pra galera. Era fato. Time e torcida estavamjuntos naquele abraço doído e doido. Como tantas vezes o atleticanoesteve junto com o time. Qualquer time. Nada é mais atleticano que aquilo: um time que se comportou como otorcedor. Solidário na dor, irmão no gol. O atleticano é assim: tema coragem do galo, mas não a crista. Luta e vibra com raça e amor.Mas não se acha o dono do terreiro.


Sabe que precisa brigar contra quase tudo e contra quase todos. Até contra o vento, na célebre imagem de Roberto Drummond. Aquela que fala da camisa preta e branca pendurada num varal durante uma tempestade. Para o escritor atleticano, ou, melhor, para o atleticano escritor, o torcedor do Atlético sopraria e torceriacontra o vento durante a tormenta.


Não é metáfora. É meta de quem muitas vezes fica de fora da festa. Não porque quer. Mas porque não querem. Posso falar como jornalistahá 17 anos e torcedor não-atleticano há 41: não há grande equipe no país mais prejudicada pela arbitragem. Os exemplos são tantos e estão guardados nos olhos e no fígado. Não por acaso, o atleticano acaba perdendo alguns jogos e títulos ganhosporque acumulou nas veias as picadas do apito armado.


Algumas vezes, é fato, faltou time. Ou só sobrou raça. Mas não faltou aquilo que sobra no Mineirão, no Independência, onde o Galo for jogar: torcida. Pode não ser a maior, pode não ser a melhor,pode até se perder e fazer perder por tamanha paixão, cobrando golsdo camisa 9 como se todos fossem Reinaldo, pedindo técnica e armação nomeio-campo como se todos fossem Cerezo, exigindo segurança eelegância da zaga como se todos fossem Luisinho.


Mas não se pode cobrar ninguém por amar incondicionalmente.


O atleticano não exige bola de todo o time. Não cobra inspiração de cada jogador. Quer apenas ver um atleticano transpirando em cada camisa, em cada posição, em cada jogada. Por isso pede para que o time lute. É o mínimo para quem dá o máximo na arquibancada. A maior vitória atleticana é essa. Mais que o primeiro Brasileirão,em 1971, mais que o vice mais campeão da história do Brasil, em 1977. Os tantos títulos e troféus contam. Mas tamanha paixão, essa não se mede. Essa é desmedida. Essa é a essência atleticana.


Essa é centenária. Essa é eterna."


É de arrepiar!!

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