quarta-feira, 22 de abril de 2009

"A coletividade e a raça humana...' Todos humanos são manos'..."


"O ser e a massa são um só
A massa e o ser não..."


Vladimir Maiakovski

A coletividade coleta em si a substancia da massa e torna incapaz a manifestação individual única garantia de existência “real” de um ser. A coletividade não pensa, pensa quem comanda o coletivo, mas se existe um ciclo vicioso entre uma coletividade despessoalizada e um “líder” dependente do poder. Ai então existe o “comando do nada por ninguém”. Assim a massa não conhece liderança e nem a liderança conhece seu comando.
Existe uma diferença fundamental entre coletividade e comunidade, a comunidade comunga e se comunica através de símbolos e ancestralidades e a coletividade se ajunta para o momento, a comunidade presencia o acontecimento enquanto a coletividade acontece sem saber.
A inconsubstancialidade das instituições em favor das coletividades se apresenta mais palpável nos contatos que entretemos hoje. A massa de manobra se apresenta no momento como coletividades contaminadas pela febre histérica da busca da cura da inexistência em que se encontram.
Os grupamentos são definidos pelo poder vigente e classificados, catalogados, discriminados de forma que não possam se ausentar de tal “titulo” ou “rotulo” seja por faixa etária, condição social, raça, patologia, escolha sexual, etc etc etc. A política de atenção nas várias necessidades humanas se baseiam nesses “cortes coletivos” para se fundamentar e acionar seus sistemas de “compensações”.
A própria Lei, ou sistema legal também recorre as “categorias” criadas e aceitas para se fundamentar nas decisões judiciais. O individuo se perdeu entre as categorias criadas para “sua proteção”. Programas surgem cada vez mais direcionados as partes que constitui o todo, mas segregam o universo que constitui o individuo à outra assistência existente ou a ser criada. Juntamente com as categorias se criam nichos de interdependência que se perpetuam com o passar dos anos, condicionamentos se estabelecem que prendem o sujeito a seus direitos.
Reféns assim daquilo que poderia lhes trazer maior conforto em momentos de necessidade. A comunidade desaparece onde o comum deixa de existir para dar lugar a especialidades. Assim criou-se um mito do especial em detrimento do comum, quando na verdade ser especial é ter direito a ser comum. Essas teias invisíveis nos cercam e nos segregam cada vez mais de partilharmos o mesmo espaço. Grupos de risco, idade propensa, cota racial, condição especial, etc.
Somos todos da raça humana!
Lincoln Campos Vieira (psicólogo em Minas Gerais)

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