quinta-feira, 13 de maio de 2010

Capacitação dos servidores - Humanização leva esperança e dignidade a doentes mentais




IPATINGA-MG – Para entender bem o conceito de humanização na saúde, um bom exercício é imaginar a situação totalmente contrária. Ciente da condição de humano, se ver sendo privado da liberdade, do contato social e até do carinho da família. Muitas vezes amarrado ao pé da cama, com os braços e pernas atadas; ou confinado em um ambiente úmido, escuro e mal ventilado. Parece um absurdo, mas era a realidade existente em vários municípios do Vale do Aço até 2003, quando o Consórcio Intermunicipal de Saúde (Consaúde) assumiu a bandeira de resgatar a dignidade dos portadores de transtornos mentais.

De lá para cá, através do programa Consaúde Mental, foram dezenas de pacientes atendidos, e o principal resultado: aqueles que eram motivo de tristeza e preocupação da comunidade e dos familiares, muitas vezes sendo tratados em condições sub-humanas, receberam um precioso auxílio, redescobrindo o significado da palavra felicidade.

Na última sexta-feira (7), foi realizada na sede do Consaúde mais uma capacitação de servidores municipais para que os profissionais de saúde possam lidar melhor com o problema.

Com o apoio de psicólogo e psiquiatra exclusivos do programa, foi possível demonstrar que, em grande parte dos casos, o uso indiscriminado de medicamentos, assim como o isolamento social, só produzia como resultados o agravamento do transtorno e sofrimento para o paciente, família e comunidade.

Os profissionais do Consaúde visitam periodicamente cada comunidade, observando a evolução dos pacientes, realizando atividades lúdicas, palestras para toda a população, oficinas terapêuticas. Também há a preocupação em disponibilizar os medicamentos, quando necessários, em quantidades adequadas.

“É uma parceria com os municípios, então nós usamos a estrutura existente em cada cidade, como também orientamos as prefeituras a criarem espaços para atividades de apoio”, explica o psicólogo Lincoln Campos Vieira. Para ele, a quebra do preconceito foi fundamental, “pois na questão da saúde mental é preciso persistência”, conclui.

Ele enumera, além do preconceito, outros dois fatores altamente prejudiciais que eram percebidos antes da implantação do programa: o isolamento e a medicação indiscriminada. “Isso tornava as chamadas “crises” cada vez mais comuns, e como não existia condição de tratamento em nível local, a solução encontrada era encaminhar o paciente para internação em hospitais psiquiátricos do Estado”, completa Vieira.

Quando fala do Consaúde Mental, considerado “a menina dos olhos” no consórcio, a secretária executiva Eloiza Dalla Vecchia se emociona. “O que se via antes era chocante. Muito, muito triste. Assumimos o compromisso de resgatar essas pessoas, mostrar às famílias e a todos de que é possível conviver com o problema, mostrar a eles que existia meio para chegar à felicidade”, resume.

Como principais resultados, além da recuperação de dezenas de pacientes, Eloiza ressalta que através do Consaúde Mental foi possível levar aos municípios uma alternativa viável de atendimento, sem grandes custos, e com resultados comprovados. Para ela, a iniciativa demonstra a determinação do Consaúde em cumprir seu papel como parceiro do SUS, sempre com foco na humanização do atendimento.


O Psicólogo Lincoln Vieira ( irmão do blogger) esteve em Parauapebas entre 2000 e 2001, trabalhando na rede municipal de saúde, quando auxiliou na implantação do CAPS.

Um comentário:

Anônimo disse...

Lembro do Dr. Lincoln. Fez um trabalho excelente aqui em Parauapebas; até hj me lembro de uma palestra na câmara Municipal. Profissional de primeira!