terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Quem gosta do carnaval?

A festa se prepara para começar, contando com a euforia de milhões de pessoas, prontas para cair, literalmente - na farra e, mais uma vez, tentar esquecer os problemas, ” porque ninguém é de ferro!”.
O carnaval é um período meio enigmático pois trata-se de um feriado prolongado onde grande parte da população “pede licença” para transgredir as suas próprias regras de normalidade, cometer excessos, se transformar em personagens caricatos e propensos a pequenas loucuras. Digo “pequenas” enquadrando a parcela da população que conserva um pouco do juízo funcionando e se excede apenas o suficiente para se olhar no espelho na quarta feira de cinzas sem se envergonhar por completo.

Na realidade mesmo, esse exagero que ocorre no carnaval, reflete um pouco a falta de equilíbrio que existe no Brasil, onde acostumou-se a conviver com crimes, insegurança, desemprego e impunidade. Trata-se de algo crônico e que vem se prolongando por anos a fio. Quanto mais em crise estamos, mais sucesso faz o carnaval.
Afinal de contas, que outro País consegue ‘apagar’ todos os seus problemas de forma instantânea, durante quatro dias? Pára tudo!! É como se alguém tirasse o Brasil da tomada, desligando-o durante quatro dias. Não se fala em crise, bancos fecham as portas, o comércio dá um tempo, as escolas não funcionam e etc. Somente os hospitais permanecem abertos ( as delegacias também).
Quem lucra mesmo com o carnaval, além das fábricas de bebida alcoólica e cigarros - que são consumidos “às pampas”- são as grandes redes de televisão, as escolas de samba, os grupos de música, os bares e botecos de esquina.

A festa toda deixou o seu caráter cultural de lado há muito tempo e virou um grande circo que movimenta milhões de reais à custa dos excessos do povo. Falando em cultura popular, há alguns dias eu ouvi dois repentistas nordestinos, traduzindo o carnaval de forma interessante, em uma linguagem cabocla, forte e genial que merece ser transcrita aqui:
”Carnaval não tem limite nem controle nem fronteira,
tem a sexta-feira gorda, o sábado de zé pereira,
domingo segunda e terça e ressaca na quarta feira.
O clube é superlotado, a praia é abarrotada,
a avenida não cabe, a praça é contaminada
de tanto corpo bonito e tanta cabeça sem nada.
A massa é feito boiada, sem objetividade,
ensaiando personagens imitando a liberdade,
camuflando o sacrifício e driblando a realidade.
Desfiles são exibidos, droga injetada na veia.
Igrejas ficam vazias, boates trabalham cheias,
sobram brigas nas calçadas faltam vagas nas cadeias.
Cerveja, uísque e cachaça, cocaína, crack e cola,
venda de entorpecente, uso ilegal de pistola
são recheios do cardápio da geração coca-cola.
A música que a banda toca e o som que um grupo produz,
não rompe todas barreiras nem quebram todos tabus,
quando os corações são puros as almas são de Jesus…"


5 comentários:

Bruno Soares disse...

Acho que já ouvi esse repente, muito bom!

Cristina Rafaela disse...

Olinto, pra mim esse é um dos seus melhores texto. Aliás, foi por causa dele que a gente ficou amigo, né? Ou melhor, foi pelo fato de eu ter gostado tanto dele!
;) vou colocar no meu fotolog esse ano, tá bem? Um abração! Cristina Rafaela

OLINTO disse...

Oi Cristina, grato pela visita. Resolvi publicar no blog este ano porque acho que os excessos continuam; Fique a vontade com o texto; quem sabe toca na consciência de alguém, né? Quero um dia poder conversar mais contigo; sinto que temos uma sintonia boa. Grande abraço!

Cristina Rafaela disse...

No começo de dezembro, se tudo der certo, eu vou para Belém! :) faço questão de lhe fazer uma visita também!

Um abraço!!

Anônimo disse...

Carnaval...
é sem sombra de dúvida a festa dos execessos! Eu quero mesmo é ta bem longe dessa comemoração.

abraços olinto