segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Rei do futebol

Meu Atlético Mineiro perdeu de novo, ontem, para aquele timeco. Nem me importo mais ( não é bem assim...). Acho que me acostumei com a mediocridade que virou o futebol. O que antes movimentava as multidões, virou um negócio insosso, com um bando de pernas de pau fanáticos por dinheiro. Reavivo uma crônica de NELSON RODRIGUES, falando sobre um novo craque que despontava em 1958.


"postado originalmente em 08 de março de 1958 na manchete esportiva."


"Depois do jogo América x Santos, seria uma crime não fazer de Pelé o meu personagem da semana. Grande figura, que o meu confrade Albert Laurence chama de “o Domingos da Guia do ataque”. Examino a ficha de Pelé e tomo um susto: — dezessete anos!

Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Pelé. Eu, com mais de quarenta, custo a crer que alguém possa ter dezessete anos, jamais. Pois bem: — verdadeiro garoto, o meu personagem anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se imperador Jones, se etíope. Racilamente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis.


Em suma: — Ponham-no em qualquer rancho e sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor.O que nós chamamos de realeza é, acima de todo, um estado de alma. E Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável: — a de se sentir rei, da cabeça aos pés. Quando ele apanha a bola e dribla um adversário, é como quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento.


E o meu personagem tem uma tal sensação de superioridade que não faz cerimônias. Já lhe perguntaram: — “Quem é o maior meia do mundo?”. Ele respondeu, com a ênfase das certeza eternas: — “Eu”. Insistiram: — “Qual é o maior ponta do mundo?”. E Pelé: — “Eu”. Em outro qualquer, esse desplante faria rir ou sorrir. Mas o fabuloso craque põe no que diz uma tal carga de convicção, que ninguém reage e todos passam a admitir que ele seja, realmente, o maior de todas as posições. Nas pontas, nas meias e no centro, há de ser o mesmo, isto é, o incomparável Pelé.


Vejam o que ele fez, outro dia, no já referido América x Santos. Enfiou, e quase sempre pelo esforço pessoal, quatro gols em Pompéia. Sozinho, liquidou a partida, liquidou o América, monopolizou o placar. Ao meu lado, um americano doente estrebuchava: — “Vá jogar bem assim no diabo que o carregue!”.


De certa feita, foi até desmoralizante. Ainda no primeiro tempo, ele recebe o couro no meio do campo. Outro qualquer teria despachado. Pelé, não. Olha para frente e o caminho até o gol está entupido de adversários. Mas o homem resolve fazer tudo sozinho. Dribla o primeiro e o segundo. Vem-lhe ao encalço, ferozmente, o terceiro, que Pelé corta sensacionalmente. Numa palavra: — sem passar a ninguém e sem ajuda de ninguém, ele promoveu a destruição minuciosa e sádica da defesa rubra. Até que chegou um momento em que não havia mais ninguém para driblar. Não existia uma defesa.


Ou por outra: — a defesa estava indefesa. E, então, livre na área inimiga, Pelé achou que era demais driblar Pompéia e encaçapou de maneira genial e inapelável.Ora, para fazer um gol assim não basta apenas o simples e puro futebol. É preciso algo mais, ou seja, essa plenitude de confiança, certeza, de otimismo, que faz de Pelé o craque imbatível. Quero crer que a sua maior virtude é, justamente, a imodéstia absoluta.


Põe-se por cima de tudo e de todos. E acaba intimidando a própria bola, que vem aos seus pés com uma lambida docilidade de cadelinha. Hoje, até uma cambaxirra sabe que Pelé é imprescindível em qualquer escrete. Na Suécia, ele não tremerá de ninguém. Há de olhar os húngaros, os ingleses, os russos de alto a baixo. Não se inferiorizará diante de ninguém. E é dessa atitude viril e mesmo insolente que precisamos. Sim, amigos: — aposto minha cabeça como Pelé vai achar todos os nossos adversários uns pernas-de-pau.


Por que perdemos, na Suíca, para a Hungria? Examinem a fotografia de um e outro time entrando em campo. Enquanto os húngaros erguem o rosto, olham duro, empinam o peito, nós baixamos a cabeça e quase babamos de humildade. Esse flagrante, por si só, antecipa e elucida a derrota. Com Pelé no time, e outros como ele, ninguém irá para a Suécia com a alma dos vira-latas. Os outros é que tremerão diante de nós. "

5 comentários:

Zé Dudu disse...

Não se aveche, amigo Olinto!
Esse 2009 passarei todo ano torcendo pelo meu Vasco na Segunda divisão.
O Águia, por quem havia aprendido a torcer por se tratar de um time apadrinhado por nós Parauapebenses, não conseguiu se classificar às finais. Realmente estamos muito mal.

bridaciara9 disse...

É meu amigo nós atleticanos somos sofredores mesmo....

Renato Pinto de Resende disse...

Meu amigo não desanime,isto é só o começo de temporada tem mais por vir ainda,nos anos 80 eu sofri muito,me perdôe mas kkkkkkkkkkkk
e
assim mesmo, cruzeeeeeeeiiiiiroo.
calma é brincadeira hein kkkkkkkkkkkkk.Cruzeirense super azul.

Renato Resende disse...

DR Olinto êta segunda feira brava hein,kkkkkkk´é uma zoêira só.
Não se avexi não kkkkkkkkkkk

OLINTO disse...

TÔ desanimado nada...só não tô iludido mais com futebol....

Abraços a todos!