sexta-feira, 18 de setembro de 2009

"A solução para a terra não cai do céu"

Mais que provocação, a afirmativa "a solução para a Terra não cai do céu", que dá título ao novo livro de Leonardo Boff, é uma reflexão necessária, adverte o autor. Em Belo Horizonte para o lançamento do trabalho, o doutor em teologia e filosofia afirma que a humanidade está diante de desafios imensos, que precisam ser compreendidos a partir de suas dimensões reais.“Se, antes, o eixo dominante estava voltado para o desenvolvimento sustentável, hoje é preciso agir no sentido de salvar vidas e não simplesmente preservar o sistema que criou injustiças, provocou o aquecimento global e ameaça a vida em todas as suas formas”, argumenta Boff.
Intelectual reconhecido por sua importante contribuição para a formulação da Teologia da Libertação, o ex-frade acredita que esse problema passa pelo desejo de construção de uma sociedade mais justa, mas também pela consolidação de novo paradigma de civilização e sociedade. Para ele, é necessária a união das ações governamentais, instituições e povos de todas as culturas em torno da defesa da vida, em seu mais amplo sentido. “Se o sistema que temos nos leva a um colapso, é preciso que todos se voltem para esses questionamentos em busca de soluções construídas coletivamente”, diz.
E alerta: o sistema globalizado deve assumir seu caráter político, de estado de governança mundial, e não se ater exclusivamente à dimensão econômica. “Cada país, com suas crenças e instituições, deve se dispor à refundação da sociedade global. Se não for assim, teremos profundo desequilíbrio, que, aliás, já se manifesta”, adverte. ONU Mas Boff não é alarmista e aponta resoluções internacionais como iniciativas positivas.
Cita como exemplo a implementação de conselho mundial na Organização das Nações Unidas para elaborar, ainda este ano, a Carta Internacional do Bem Comum da Terra e da Humanidade, além da criação de duas frentes de trabalho. Elas vão acompanhar a geração de capital real (para a manutenção do estado produtivo), o capital especulativo, a fim de evitar crises. Estão previstos encontros duas vezes ao ano de todos os chefes de estado para discutirem o tema. “É o começo teórico que faz referência a algo comum”, pondera.
Na base das articulações, os movimentos sociais e populares desempenham papel essencial, avalia o teólogo. Para ele, essas mudanças serão efetivadas a partir de iniciativas apontadas sobretudo pelos militantes de grupos que lidam com questões como reforma agrária, economia solidária e preservação das águas, entre outros.

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