quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Barack Hussein Obama



Barack Hussein Obama é o 44º presidente dos EUA. John McCain reconheceu a derrota em discurso pronunciado na madrugada desta quarta-feira (5).

O novo presidente vai à Casa Branca, em janeiro, com a cara de gerente de crise. A maior crise financeira desde o crash de 29.

Obama prevaleceu sobre McCain vendendo sonhos. Seu grande desafio será converter o onírico em real.

Nos discursos de campanha, Obama dirigia-se, primeiro, ao coração de suas platéias. Só depois capturava-lhes as mentes.

Ficou a impressão de que sua fala carece de densidade. Numa fase em que Hillary Clinton ainda media forças pela vaga do Partido Democrata, Bill Clinton disse:

“Você pode fazer campanha em poesia, mas governa em prosa”. A metáfora do marido de Hillary resume o drama de Obama.

O triunfo nas urnas tanto pode convertê-lo em estadista como em fiasco. Por ora, sabe-se apenas que os eleitores americanos decidiram optar pela ousadia.

A América fez uma concessão ao improvável. Acomodou no comando do império a mais vistosa novidade produzida pela política americana nos últimos tempos.

Some-se à ascensão meteórica de Obama a cor da cútis do novo presidente e tem-se uma exata dimensão do novo.

Para os padrões brasileiros, Obama é mulato –filho de um negro queniano com uma americana branca do Havaí.

Aos olhos do mundo, trata-se do primeiro negro a sentar-se na poltrona de presidente da economia mais importante do planeta. Não é pouca coisa.

Será no mínimo divertido observar as mãos brancas, que se julgam superiores, tendo de apertar, ao redor do mundo, a mão retinta de Obama.

De resto, convém torcer para que Obama consiga provar-se capaz na dura liça do cotidiano administrativo.

O êxito do novo presidente americano faria bem não só aos EUA, mas ao mundo.

Em julho passado, falando para uma multidão de cerca de 200 mil pessoas, em Berlim, Obama pontificara:

"Eu sei que não pareço com os americanos que já falaram aqui. A história que me trouxe aqui é improvável".

Antes, esmerara-se na construção de analogias em torno dos escombros do Muro de Berlim. Mencionara o fantasma dos muros da pós-modernidade.

Muros "entre raças e tribos, nativos e imigrantes, cristãos e muçulmanos e judeus". São paredes que, no dizer de Obama, "não podem continuar de pé".

A hora, dicursara Obama, é de "construir pontes” ao redor do planeta. Nada mais sensato. Nada mais improvável, contudo.

Hoje, apenas o dinheiro dispõe de liberdade para passear pelo mundo. A pecúnia não tem pátria. Vai para onde ganha mais. Daí a natureza global da crise.

Aos pobres que ousam pular os muros da pós-modernidade sonega-se a mesma desenvoltura. A eles são reservadas a prisão, a humilhação e a deportação.

É nesse mundo que une o capital e divide as pessoas que o fenômeno Obama irrompe como novidade alvissareira.

Impossível desconhecer que há, de fato, um quê de poesia na trajetória do sucessor de George Bush. O alerta de Clinton não é despropositado. Longe disso.

Mas é preciso admitir que faltava à política, nos EUA e no mundo, uma dose daquele tipo de Adicionar imageminspiração que conduz ao verso. Resta saber como será a migração para a prosa.


(extraído do blog do Josias)

Um comentário:

Antero disse...

Vixe!! Não sabia que ele assinava Hussein. O Negão é parente do Faisal?