segunda-feira, 13 de outubro de 2008

SANDÁLIAS DA HUMILDADE

Há alguns meses atrás, um juiz de Direito do Paraná , da 3ª Vara do Trabalho de Cascavel, cancelou uma audiência porque o reclamante, um trabalhador rural, estava calçando uma sandália de dedos. Para o juiz, o trabalhador estava atentando contra a “dignidade da Justiça”. Vale transcrever o que o magistrado mandou escrever na ata da audiência: “O juiz deixa registrado que não irá realizar esta audiência, tendo em vista que o reclamante compareceu em Juízo trajando chinelo de dedos, calçado incompatível com a dignidade do Poder Judiciário”.
É interessante esse nosso País! Tem tanta gente vivendo em um mundo de ilusão, presos em salas frias com portas e janelas fechadas, isolados da vida real, sem saber como funciona o mundo lá fora, vivendo em um mundinho pequeno, feito de mediocridade e arrogância. Existem pessoas que não imaginam quais são os mínimos anseios de um homem simples do povo, seja ele urbano ou rural, mas tem o poder de decidir a respeito dos destinos daquela vida. O Brasil inteiro ( e o mundo) viu, há pouco tempo atrás, uma meia dúzia de “filhinhos de papai”, moradores de condomínios fechados no Rio de Janeiro, espancarem brutalmente uma empregada doméstica que estava em um ponto de ônibus, indo para o trabalho.
Ainda tiveram a audácia de dizer que só fizeram aquilo porque a confundiram com uma prostituta, como se isso fosse uma justificativa plausível. Todos os cinco rapazes são filhos de pais abastados financeiramente e fazem curso superior. Como será que irão exercer a profissão depois de formados, se continuarem com a mentalidade imbecilizada que tem hoje? Somente a falta de experiência de vida, ou mesmo a falta de bom senso é que faz pessoas como o tal juiz imaginar que um homem calçando chinelos ofende a Justiça.
O que ofende a Justiça é a soberba, a vaidade, a falta de limites, o desrespeito, a falta de coragem para decidir coisas grandes e pequenas. Uma das coisas mais perigosas que existe é colocar gente despreparada e inexperiente para decidir questões complexas a respeito da vida. Não estou com isso dizendo que inexperiência tem a ver com idade, nada a ver. Inexperiência tem a ver com o egoísmo de não querer perceber o mundo em que se vive.
Esse nosso Brasil precisa de pessoas que saibam entender a linguagem do povo, que saibam se fazer entender por todos, sem distinção. O paradoxo foi vivido por mim, meses atrás, em uma longa audiência aqui em Parauapebas, onde o Juiz Dr. Cristiano Magalhães deu uma aula de bom senso, paciência, humildade e vontade de resolver situações difíceis, sempre seguro e cordial. Enquanto aquele juiz do Paraná ficou tristemente “famoso” no Brasil inteiro por ter aprontado uma besteira sem tamanho, os feitos nobres de pessoas dignas ficam sem holofotes, mas nem por isso são menos importantes.


Observação: Este texto foi publicado no site http://www.soleis.adv.br/artigosandaliasdahumildade.htm

5 comentários:

renatinho roqueiro disse...

é aí maxo réi...
virou blogueiro foi?
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
aew.. divulga pra mim o tributo a legiao urbana q será realizado dia 14 de Novembro no CDC...
e tipow...
se dé.. vá publigando alguma coisa da legiao urbana q é pra ir chamando a atençao do pessoal e lotarmos o espaço lá blz?
flw maxo réi...

Izabel Gaia disse...

...ola Dr. Olinto, seja bem vindo a blogosfera. É legal ver que mais pessoas estão contribuindo para divulgar a nossa cidade. Vou add seu blog para que possamos partilhar informações. Dudu, Eu e outros já compartilhamos com fotos, textos e, fique a vontade para fazer o mesmo...abraços. Izabel Gaia

Eldan de Lima Nato disse...

Parabéns pela iniciativa, Dr. Olinto. Gostei das postagens. É um orgulho para os bloggers de Parauapebas ter mais um blog com conteúdo de primeira!
Abraço.
(estou adiconando seu link na minha página)

conexão disse...

Grato aos amigos Renatinho e Izabel. Ao Eldan, muito agradecido pelas palavras de incentivo; tomara que as postagens estejam em um bom nível. Abraços!

dilzzan disse...

Ainda dizem que a justiça é cega,
Imagina se não fosse!